The Grand Budapest Hotel Nuno Reis, 27 de Maio de 201428 de Outubro de 2025 Wes Anderson não se rege pelas normas convencionais do cinema. Pode não agradar a todos, mas não permite que isso altere o seu estilo tão peculiar. Faz filmes que são únicos e cuja autoria não dá margens para dúvidas. Uma das características é o incrível lote de estrelas que tem ao seu dispôr. Mas se ver aqui nomes como Bill Murray, Owen Wilson, Jason Schwartzman, Adrien Brody, Willem Dafoe, Tilda Swinton e Bob Balaban não apresenta novidade, saber que além deles tem outros tantos igualmente conhecidos, tem tantas estrelas ao dispôr que nem lhes consegue escrever personagens e se limita a arranjar cameos para todos, deixa-nos levemente confusos. Nem o filme é assim tão bom que se justifique quererem entrar nele a todo o custo, nem lhes faltariam alternativas para andarem entretidos noutros projectos. Estão aqui apenas porque sim, por confiarem no realizador que, ao fim de tantos trabalhos (para Murray esta foi a sétima colaboração), será também um amigo. É um pouco assim que vamos para cada filme de Anderson. Deste Anderson, ainda que haja outros com o mesmo apelido que têm o mesmo efeito noutros actores e espectadores. Vamos confiantes que, por muito pouco que ele tenha pensado em nós, nos arranjou um cantinho do qual vamos gostar. A narrativa contada por um escritor que ouviu a história na primeira pessoa, acompanha o recepcionista e um dos paquetes do Grand Budapest Hotel, no ano de 1932. Esse hotel era uma casa temporária para muitos viajantes. Localizado na região fictícia de Zubrowka, que representa a Europa de Leste nos atribulados anos 30 – quando guerras e invasões eram actos cada vez mais frequentes – o Grand Budapest Hotel, será testemunha de estranhos eventos e o seu concierge Gustave terá um importante papel no desenrolar dos acontecimentos. É preciso ir ver o filme naquele modo específico para os filmes de Anderson, porque ao estranho e surreal, junta-se aquele toque mágico com o qual nos dá lições morais. Tal como nos seus filmes anteriores, a história central é uma gigantesca aventura, mas é o seu contexto que mais nos marca. Neste caso, a variedade cultural, as personagens rocambolescas, as sociedades secretas, as paixões proibidas, as loucuras feitas por amor ou amizade, aqueles doces de ficar com água na boca… O como ingrediente máximo o retrato da Vida contado por duas pessoas que, ao entrarem no Inverno da existência, conseguem reflectir sobre o significado dos anos e das pessoas que ficaram para trás. Uma simplicidade aparente, um filme que se valoriza à medida que o vemos e vai certamente melhorar enquanto envelhecemos e olhamos para trás. Se fosse reduzir esta crítica a prós e contras, nos contras poderia dizer que era apenas mais um filme de Wes Anderson. Nos prós diria exactamente o mesmo. Filmes Filmes 2014 famíliaNuno ReisViagem