Absolutely Anything Nuno Reis, 9 de Outubro de 201513 de Novembro de 2025 Há pouco mais de um ano os Monty Python regressaram aos palcos num espectáculo que esgotou em tempo recorde. Foi repetido várias vezes e transmitido ao vivo para cinemas em vários pontos do mundo. Mas isso não bastou. Agora temos nos cinemas um filme que, não sendo totalmente Monty Python, nos faz recordar quanta falta fazem no panorama cultural actual. O novo filme de Terry Jones não é a comédia convencional do grupo. Entra nos terrenos da ficção-científica com dois actores bem conhecidos do nosso espaço. O protagonista é Simon Pegg, o mais parecido com um Monty Python no activo que Inglaterra tem para oferecer e que é tão incontornável no humor como na ficção-científica. No papel feminino está Kate Beckinsale que não parece, mas se tem mantido constantemente perto do terror e do thriller. O terceiro rosto é de Sanjeev Bhaskar que tem um background de comédia e documentários e é conhecido em Inglaterra pelo conjunto de séries “The Kumars”. A surpresa não está nos rostos, está nas vozes. O conselho supremo galáctico tem Eric Idle, John Cleese, Michael Palin, Terry Gilliam e o próprio Terry Jones. Ou seja, The Full Monty Python. E ainda há um cão com a voz de Robin Williams, numa das últimas oportunidades que o falecido actor nos dá de nos rirmos com algo novo dele. Afinal, de que trata este filme sobre Absolutamente Tudo? Irremediavelmente, a forma mais fácil de descrever o filme é com um cruzamento de outros dois. E esses dois são “Bruce Almighty” e “Hitchhickers Guide to the Galaxy”. Quando os extraterrestres descobrem a existência da Terra e dos humanos, decidem que devemos ser destruídos. De acordo com o regulamento, dão uma oportunidade aos humanos de mostrarem o seu valor. Uma pessoa aleatória vai receber poderes absolutos. Se os usar sabiamente, o planeta será poupado. Caso os use erradamente, seremos todos exterminados num instante. Só que o escolhido, Neil, é um professor frustrado, perdidamente apaixonado pela vizinha de baixo, descontente com a vida e que tem apenas duas amizades, o cão Dennis e o colega ainda mais ignorado, Ray. Ao descobrir acidentalmente os seus poderes (se alguém lhe explicasse os motivos dos poderes, provavelmente ele saberia como usá-los) Neil vai dar o seu melhor para os usar criativamente. Mas, tal como se tivesse uma lâmpada mágica com um génio brincalhão, os seus poderes ilimitados muitas vezes vão sair um pouco ao lado, colocando-o em situações ainda mais embaraçosas. “Absolutely Aything” tem tido muito mediatismo (incluindo selecção oficial em Sitges e filme de abertura na Semana de Terror de San Sebastian) apenas pelo super-elenco reunido. Não é um filme perfeito. Tem um humor que varia entre o inteligente e o linear. Tão depressa tem tiradas consecutivas com graça, como esperamos minutos por algo interessante. Os momentos de rir agarrando a barriga que caracterizavam os Monty Python, contam-se pelos dedos de uma mão. Ma sua maioria são na primeira meia hora do filme (grande primeiro diálogo de Robin Williams). E vemos passar excelentes oportunidades de se fazer humor, tanto pelo modelo britânico como apostando no modelo americano. No final vamos confirmar que o único motivo para alguém não destruir o planeta não será um humano aleatório, ou toda a humanidade, mas se gosta de cães. Talvez eles sejam mesmo a única coisa que se aproveita neste planeta. Filmes Filmes 2015 Monty PythonNuno ReisSitges 2015