Assassination Classroom Nuno Reis, 19 de Setembro de 201513 de Novembro de 2025 Os japoneses têm uma imaginação quase ilimitada no que diz respeito a criar vilões indestrutíveis e heróis que lhes encontram uma fraqueza. Normalmente nascem no formato manga que depressa passa para anime e depois filme, ou de animação, ou em imagem real ou ambos. “Ansatsu Kyoushitsu” podia ter sido uma das imensas mangas que nunca chegam a lado nenhum, mas publicada apenas em 2012 e tendo já completado o percurso, provou ser o contrário. Está é a história de um estranho ser amarelo com uns tentáculos. Ele tem grande força, elasticidade e a sua principal vantagem competitiva é a velocidade a que se desloca, Mach 20. Os humanos não têm nenhuma hipótese contra ele e isso ficou provado quando ele destruiu uma parte da lua sem uma oposição digna desse nome. O seu próximo alvo é a Terra e ninguém parece capaz de o destruir. Como esse ser tentacular gosta de desafios, coloca um à humanidade. Durante um ano ele vai dar aulas a uma turma especial no Japão, a turma dos piores alunos da Escola Kunugigaoka. Esses indesejados da sociedade terão uma missão secreta: vão ser treinados para o destruir. Ele compromete-se a não os magoar, mas, se eles não o matarem, então todo o planeta terá o destino da Lua. O que começa por ser um desafio impossível para um grupo de alunos frustrados e diversão inesperada para o professor mais invulgar que eles alguma vez tiveram, lentamente toma um novo rumo quando percebem que estão perante um bom professor. O primeiro que se preocupa com eles, que lhes explica as coisas e que os trata como seres humanos. Deixaram de ser cidadãos de segunda categoria. Agora são os heróis secretos do país. No que diz respeito a professores improváveis vindos do Japão, este Koro-Sensei está ao nível do saudoso Onizuka do final dos anos 90. De Yūsei Matsui , autor/ilustrador de “Demon Detective Neuro Nōgami”, “Assassination Classroom” foi mais rápido a dividir-se pelos vários formatos. A primeira manga foi mal recebida quando adaptada a anime e não teve grande sucesso nos outros formatos (dois videojogos). Desta vez com uma supervisão mais atenta, o anime foi bastante fiel ao original. Isso ajudou a construir uma fan base para este novo vôo. Na realização estava Eiichirô Hasumi, muito acostumado a adaptar mangas e a dar-nos obras leves (como “Wild 7” e “Oppai Volleyball” por exemplo) o que terá ajudado. Ainda que com um ritmo diferente do manga e do anime, o filme segue os mesmos princípios. Tem um início violento – a guerra no nosso satélite natural – mas depressa muda para o tom jocoso que caracteriza a obra nos outros formatos. A loucura inesperada na sala de aula, os alunos e professores especiais que o Ministério da Defesa vai colocando para acelerar a missão, e as imensas lições de assassinato e de vida, fazem deste “Assassination Classroom” uma obra fundamental do seu género. Ainda que peque um pouco como filme de acção pelo ridículo que atinge, é uma das melhores adaptações manga que temos visto dentro do género da comédia. Precisamente por ir contra tudo o que é lógico e por ter violência em quantidades industriais, consegue prender facilmente os espectadores acostumados a anime e dar-lhes algo mais do que o habitual. Uma narrativa com pés e cabeça (dentro do possível), vários momentos-chave da manga bem adaptados, situações complicadas e inimigos para enfrentar. Este elenco variado cumpre a sua missão tanto nas personagens ditas normais, como nas extraordinárias. Com quase duas horas de duração, é um filme que passa a voar e a sequela, prevista para 2016, é aguardada com ansiedade. Filmes Filmes 2015 EscolaMOTELx 2015Nuno Reisplano inteligenteProfessores