Coin Locker Girl Nuno Reis, 15 de Outubro de 201511 de Dezembro de 2025 A acção é um género que sempre esteve muito presente no cinema coreano que nos chega aos festivais do fantástico. “Cha-i-na-ta-un“/“Coin Locker Girl” por isso mesmo aprece igual a muitos outros, a diferença é que narra os problemas sociais com outra atenção e, como bónus, entrega o protagonismo a personagens femininas. Il-Young teve uma chegada ao mundo um pouco inesperada. Ainda uma recém-nascida, foi deixada nos cacifos de uma estação e cresceu sob os cuidados de alguns sem-abrigo. Quando era uma criança foi encontrada e vendida como um excelente investimento por ser indetectável – nem sequer tem registo de nascimento. A vida deu mais uma volta e acabou aos cuidados de uma mulher que não parecia preocupar-se muito com mais uma criança. A Mãe – é esse o nome que toda a gente usa para se referir a ela- não é uma alma caridosa que acolhe crianças abandonadas. Ela gere um negócio de agiotagem de forma eficaz e todos os seus protegidos retribuem os cuidados trabalhando afincadamente para a prosperidade do negócio. Quando Il-Young começa nessa vida vai ter uma surpresa e começar a repensar as suas motivações e a sua fidelidade. Mas o que pode fazer uma jovem contra um pequeno império do crime gerido com pulso de ferro? Apoiado nas interpretações da promissora Go-eun Kim como Il-Young (nome que significa Um Zero, por ter vindo do cacifo Dez) e da veterana Hye-su Kim como Mãe, é um filme que pega em lugares-comuns e os distorce. Há bastante violência com e sem armas. Há romance. Há crime e há drogas. E no entanto nem sempre se imagina o rumo que a história toma. Porque enquanto Il-Young vai crescendo como pessoa num número reduzido de dias, Mãe vai revelando a debilidade que sempre disfarçou bem. O confronto geracional é mais psicológico do que físico, o confronto entre correcto e errado e do indivíduo contra o grupo, pelo contrário, é bastante físico e tem alguns momentos com sangue, ainda que não seja nada de extraordinário para quem está num festival de terror. O mais perturbador no filme será a família invulgar – serão todos adoptados? – e disfuncional de Il-Young, mas que ainda assim são uma família e portanto deviam ser a base de apoio nos momentos difíceis. Pelo contrário, ostracizam-na por ser uma jovem motiva e deixam-na sozinha quando mais precisava de ajuda. Bastante deprimente. “Coin Locker Girl” acaba por ter bastante originalidade dentro do estilo dos filmes de acção por conjugar com o drama social e familiar em vez de se centrar exclusivamente em tiros e artes marciais. Talvez desiluda quem procurava especificamente isso, mas no geral é um bom equilíbrio. Filmes Filmes 2015 artes marciaisfamíliaMulher forteNuno ReisSitges 2015Vingança