Psiconautas: Los Niños Olvidados Nuno Reis, 8 de Setembro de 201613 de Dezembro de 2025 A novela gráfica de Alberto Vázquez, “Psiconautas”, tem um público-alvo complicado. A sua adaptação para cinema também não teria a vida facilitada pelo que Vázquez e o realizador Pedro Rivero (da longa “La Crisis Carnívora”) optaram por lançar uma curta dentro do mesmo tema para sondar o mercado, “Birdboy”. A sondagem correu bem pois venceram o Goya de curta de animação e ficaram com uma prequela (de visionamento opcional) para esta longa. Entretanto Rivero faz a curta “Sangre de Unicornio” que também tem uma boa passagem por festivais (MOTELx incluído) e nova nomeação aos Goya. Mas após cinco anos de espera, era chegada a hora de regressar a este mundo distópico com “Psiconautas: Los Niños Olvidados”. Aqui reencontramos Dinki, Birdboy e outros dos seus amigos. Numa ilha decadente rodeada por água estéril, a vida é muito difícil. Uma grande parte da população vagueia pela lixeira em busca do precioso cobre e com uma lengalenga/lema de vida que refere esse valioso metal. Na parte aparentemente ainda normal da sociedade há pais preocupados que os filhos vão à escola aprender, e depois há Birdboy, um jovem órfão que a polícia trata como se fosse o maior criminoso de que há memória e perseguem com ordens para disparar primeiro e não perguntar nada depois. A rata Dinki já decidiu e este é o dia em que vai finalmente fugir da ilha. Na companhia da louca coelha Sandra e do raposo Zorrito, vão comprar um barco e desaparecer. Dinki espera que o seu amado Birdboy se junte a eles, mas ele parece ter sucumbido à loucura e viver num mundo só seu (o que virá a ser confirmado). O filme narra esse dia da perspectiva dos quatro jovens, da polícia em busca de Birdboy, do pescador que também quer fugir, e até do despertador de Dinki, habitantes de um mundo morbundo. Caso seja preciso recordar, esta animação não é para o público infantil. O seu estilo já afastará quem procura os desenhos da animação convencional, mas a sua temática transcende o que uma criança suportaria. Temos assassinatos, radiação, drogas, roubo, desmembramento, rapto de patinhos de borracha, há de tudo um pouco para causar pesadelos. É um filme que tem uma mensagem a passar e que sabe como ser incómodo ao mesmo tempo que é belo, e como misturar a inocência infantil com a dura realidade. Vamos finalmente saber tudo aquilo que aflige Birdboy e compreender o que o leva a persistir em sobreviver num mundo que não parece ter nada para lhe dar, onde só um indivíduo o ama e quase todos os outros lhe desejam mal. Como ele existem muitos, ainda que só entrem em detalhes com a componente familiar de Dinki e do porco pescador. É uma sociedade decadente, num mundo pós-apocalíptico e qualquer réstia de humanidade e esperança parece condenada a morrer entre tanta dor e vingança. Uma obra imperdível que deixará seguramente a sua marca nos espectadores com a sua mensagem e alimentará pesadelos por muitos anos com o seu visual. Não se podia pedir mais. Filmes Filmes 2015 Adaptação literáriaadolescentesilhaMOTELx 2016Mundo pós-apocalipticoNuno Reis