The Final Girls Nuno Reis, 15 de Outubro de 201513 de Janeiro de 2026 Toda a gente adora os slashers porque é onde secretamente todos torcem pelo vilão. Desejam que ele apanhe cada um dos seus alvos e os desfaça com extrema violência, espalhando muito sangue, tripas, membros, cabeças e já agora também uns troncos. E quando os nossos impulsos mais selvagens estão saciados, permitimos que uma pessoa sobreviva. Não aquele todo atlético ou o super inteligente, esses adoramos ver cortados ao meio por uma moto-serra ou machete. Tem de ser a pessoa mais improvável. Aquela rapariga que queremos proteger numa redoma inquebrável durante os banhos de sangue. É frágil, inocente, querida, bondosa e ficou emocionalmente destruída pelo massacre. É ela que merece viver e para isso vai ter de libertar toda a raiva acumulada de forma a caçar o caçador, trucidar o indestrutível, e dar uma gargalhada vitoriosa coberta de sangue. Será a única sobrevivente, a Final Girl. O terror tem vindo a reinventar-se ao longo dos anos e o slasher não voltou a ser o mesmo que tínhamos na era de Freddy, Jason, Leatherface, Chucky, Candyman,… Por isso olhamos para trás com nostalgia e fazemos maratonas com três!, seis!, dez! filmes com um só vilão. Sempre na esperança que agora ele morra de vez depois de matar quase todos. Os anos oitenta foram uma maravilha que formaram uma geração e até aos nossos dias continuam a educar milhões em pequenos clubes que revivem a época dourada. Sabendo isso, vários dos novos filmes tentam recriar essa era. Mas quantos é que realmente mergulham nessa década? “The Final Girls” apresentou-se como um misto do novo com o velho cinema. Ao estilo de “Last Action Hero” Max, a filha de uma actriz de “Camp Bloodbath”, o “avô dos slashers”, vai a uma noite temática onde fazem a exibição dos dois filmes da saga. Os acontecimentos sucedem-se e quando dá por si está dentro do filme com os seus amigos. A única forma de saírem é seguindo as regras do slasher: 1) quem fizer sexo morre; 2) o filme só termina quando o monstro morrer; e 3) ele só pode ser morto pela Final Girl. O único problema é que Max tenciona quebrar as regras e salvar toda a gente. Serão os trinta anos a ver filmes suficientes para inverter as regras ou será o seu destino inalterável? Quem viu slashers sabe que o género existe segundo as regras do falecido Wes Craven que são ridiculamente repetidas em todos os filmes. Por isso em “The Final Girls” fazem uma combinação de tudo o que há de bom e de mau na construção da narrativa. Os locais circulares de onde não se sai. As fontes 3D em grande destaque. Os grupos de cinco pessoas e as festas onde eles se separam para sexo em sítios isolados (que também são ideais para homicídios). As armadilhas estilo “Home Alone” que falham no momento em que são mais precisas. Os diálogos foleiros. As cenas flashback e em slow motion. E numa homenagem a Craven e a Scream, o tipo que percebe de cinema e lhes/nos explica bem todas essas regras. Sim, “The Final Girls” tem tudo o que quereríamos de um slasher antigo e o que quereríamos de um novo. Não é perfeito, mas nenhum slasher o poderia ser. O elenco é liderado pela adorável Taissa Farmiga que cada vez se move melhor no terror e a fazer de sua mãe temos uma não tão recente estrela do fantástico, Malin Akerman. As duas têm boa química e ao longo do filme proporcionam-nos grandes momentos, nem que seja apenas a cantar a oldie “Bette Davis Eyes” de Kim Carnes. {youtube}EPOIS5taqA8{/youtube} Nos secundários é obrigatório destacar Angela Trimbur que depois de entrar em muitas comédias e alguns slashers combina o melhor dos dois mundos num papel muito louco que nos faz sempre rir. Estão ainda outros rostos muito conhecidos como Nina Dobrev de “The Vampire Diaries” como a mean girl de serviço, Alia Shawkat de “Arrested Development” e “Green Room” que falamos recentemente, e Adam Devine dos National Lampoon e que talvez reconheçam da saga “Pitch Perfect”. O título acima não faz parte das vossas preferências? De certeza? Se não gostam desses filmes, talvez não sejam o público adequado para as Final Girls. É que além de ser para os amantes do terror e do sangue, também é para quem gosta de cantar músicas antigas, para quem gosta de cenas lamechas e para quem adora finais previsíveis que se acham originais. Para quem gosta de cinema incondicionalmente. É que “The Final Girls” tem isso tudo, mas como era o que nos prometia não se pode levar a mal. Quem quer terror forte sentirá que foi traído pelo falso slasher (apesar de ter muito sangue e quase mostrar seios). Quem quer passar um bom bocado numa sala cheia, a ver esguichos, a bater palmas ao ritmo da música – ou mesmo a cantar – e a mandar bocas e sugestões inúteis para a tela, deve dar uma oportunidade a este título. Certamente ficarão a falar dele por bastante tempo. Se gostarem, vem aí um filme chamado “Final Girl”. E podem investigar outras sugestões aqui. Filmes Filmes 2015 Cinema Sobre CinemaMulher forteMulheresNuno ReisSitges 2015