The Visit Nuno Reis, 9 de Setembro de 201515 de Janeiro de 2026 Os dois primeiros filmes de M. Night Shyamalan passaram despercebidos. Em 1999 tudo mudou com “The Sixth Sense” onde não só nos mostrou um novo Bruce Willis, como redescobriu Haley Joel Osment e reinventou o thriller e o conceito de twist. Nos anos seguintes o estatuto foi aguentando com títulos como “Unbreakable”, “Signs” e “The Village”. Subitamente, tudo aquilo em que se envolvia parecia dar mais resultados. “Lady in the Water”, “The Happening”, “The Last Airbender”, “After Earth”… Cada um pior do que o anterior. O público e a crítica pareciam de costas voltadas a Shyamalan, ainda que lhe dessem sempre o benefício da dúvida e fossem a correr a cada nova proposta. O forte marketing em torno da série “Wayward Pines” foi uma lufada de ar fresco que afastou as más memórias e lhe deu ainda mais uma oportunidade de redenção. Para isso apostou numa história simples de irmã e irmão que vão passar uma semana com os avós que nunca conheceram por a mãe se ter distanciado dos próprios pais quando fugiu com o que viria a ser o pai dos filhos. Um aparente melodrama que pouco teria a ver com o programa do MOTELx onde teve honras de abertura. Esperem… Becca tem quinze anos e está numa fase em que tudo é fascinante. Esta oportunidade de conhecer o fragmento em falta da própria vida – e de explorar o misterioso passado da mãe – leva-a a querer fazer um documentário de tudo. Talvez porque sabe que vai viver um momento único. Talvez porque desconfia que essa semana não voltará a acontecer durante vários anos. Talvez porque os avós estão velhos e não duram para sempre. Tyler está na fase estúpida da pré-adolescência. Os dois dão-se bem, mas têm o ocasional arrufo como todos os irmãos. À espera deles está um casal simpático e autónomo, mas que física e mentalmente começa a revelar sinais de desgaste. Os netos vão fazer tudo o que puderem para se divertirem durante uma semana numa quinta sem rede de telemóvel (onde a única ligação ao mundo é um cabo de rede na cozinha) e onde a hora de deitar é 21:30. Filmado num registo semelhante ao found footage, mas com muito mais humor, “The Visit” é um produto completamente inesperado. Shyamalan diverte-se a destruir o género, a reinventar conceitos, a saltar entre suspense, comédia e thriller e a fazer de cada dia algo completamente diferente. Claro que tem o toque de Shyamalan, mas o melhor deste produto não é nenhuma surpresa ou twist, é como vai manobrando várias sensações por entre altos e baixos e quando as expectativas nos dizem que vai começar o terror, nos presenteia com um ataque de riso. Chegando ao fim, quem está familiarizado com o terror pode sair um pouco desiludido. Quem queria ver um filme familiar vai ficar muito desiludido. Mas quem procurava um produto de entretenimento para passar um bom bocado entre risos e arrepios e sem rever cenas já feitas milhares de vezes nos últimos sessenta anos, vai sair da sala muito satisfeito. É já amanhã que estreia nas salas portuguesas e podem ir ver à confiança. Filmes Filmes 2015 famíliaIrmãosMOTELx 2015Nuno Reisvelhice