Gold (2016) Nuno Reis, 9 de Março de 201730 de Outubro de 2025 Matthew McConaughey teve uma carreira sólida durante muitos anos. Papéis aceitáveis em filmes mais que decentes. Mas na década passada tornou-se demasiado famoso para seu bem. Começou uma carreira em que os títulos bons se misturavam com os que davam dinheiro e entrou em várias comédias duvidosas. Felizmente isso não o impediu de ganhar um Oscar e de começar a ficar mais selectivo. Desde então pode fazer algum filme animado, mas parece ter trocado de vez o “Fool’s Gold” pelo “Gold”. Kenneth Wells é um prospector como todos os seus antepassados por várias gerações. Só que o negócio de perfurar em busca de minerais não tem estado famoso desde que o pai morreu, e Kenny começa a perder o dinheiro, a casa, a reputação… Até que tem um sonho. O ouro pode não estar à sua porta, mas ele conhece quem perceba disso e se unir esforços com outro sonhador, Mike Acosta, poderão mostrar aos críticos quem realmente percebe. Isto é uma história intemporal. De um lado, um homem experiente com um sonho e sem dinheiro. Do outro lado, grandes corporações com dinheiro a mais que não sabem como é o trabalho no terreno, mas não estão dispostas a investir sem terem certeza de um enorme retorno. Um confronto de formas de ver o mundo, da definição de trabalho honesto, e da diferença entre força de vontade e poder. Tudo narrado na primeira pessoa, com uma entrevista em paralelo para fazer algumas das perguntas que incomodavam o espectador. Temos a sorte de ser presenteados com grandes interpretações. A McConaughey que tem uma entrega invulgar ao papel, junta-se Edgar Ramirez como o enigmático geólogo com um método por comprovar. Bryce Dallas Howard a fazer um papel menor que o habitual, mas com algumas cenas bem intensas. E toda uma série de nomes de topo: Craig Nelson, como o pai, Stacy Keach como um dos pequenos investidores, Corey Stoll como funcionário de um dos grandes investidores, Bruce Greenwood como um dos magnatas do sector… Pode ter sido só um par de dias de trabalho para cada, mas elevam o nível da obra final. O mesmo pode ser dito da música que ouvimos recorrentemente “This Must Be the Place” de David Byrne (noutra versão) com duplo sentido. Por um lado é sobre encontrar o local em que somos felizes, como a música originalmente significava. Neste caso junta-se a busca pelo sítio com metal. Inteligente escolha. Mas é mais do que um filme. É uma lição de vida sobre a ténue linha entre a fortuna e a destruição. Como é tudo uma questão de sorte e de ter os contactos certos. Como se deve lidar com ambos os cenários, e o que é importante para nós no presente e para o futuro. Todas as questões são colocadas e respondidas. É um filme que se vê bem, e que se deve rever a vários momentos da vida. Filmes Filmes 2016 BiografiaMineraçãoNuno ReisOuroplano falhado