Wait Till Helen Comes Nuno Reis, 7 de Setembro de 201613 de Dezembro de 2025 Com um título destes o filme ou é sobre uma enorme reprimenda, ou essa Helen vai assustar muito alguém. As expectativas eram elevadas, pois a protagonista era Sophie Nélisse (Professor Lazhar, The Book Thief), como sua quase irmã estava a irmã na vida real Isabelle – que já falou com fantasmas em “Mama” e com vampiros em “The Strain” e entrou no “Mommy” de Dolan – e entre os secundários havia um nome sonante do cinema, Maria Bello, e um nome não se reconhece à primeira, mas que tem sido presença regular numa boa parte da história televisiva além de vários filmes icónicos, Callum Rennie (eXistenz, Memento, Battlestar Galactica, 24, The Killing, Californication, etc.). Só para completar, o miúdo entrou no “Interstellar”. Nada a apontar nesta componente. Logo no arranque temos alguma tensão familiar com uma família em mudança. Jean e os filhos Molly e Michael vão com o novo marido dela e a filha dele para uma igreja convertida em moradia isolada de tudo. Enquanto o sossego bucólico pode ser excelente para os adultos em busca de inspiração, ele um escritor e ela uma pintora, Molly está muito decontente com a mudança e desabafa no diário, junto com o detalhe de estar a ter algumas visões para as quais foi medicada, mas não se importar. A nova irmã, Heather, é muito calada e estranha. As meninas partilham o quarto pelo que Molly vai ter mais alguns argumentos para os seus constantes lamentos e explosões de mau humor. Em especial o facto de Heather falar com fantasmas. As casas isoladas são cenário ideal para filmes de terror e pelo menos um fantasminha costuma ser fundamental para uma boa história de assombrações. O tema das crianças fantasma e com crianças como alvo é especialmente delicado pelo que convém agir com cautela. A opção do argumentista, realizador e efeitos especiais foi tornar a fantasma visível desde o início para que ninguém se assustasse com ela. Sim, é um filme de terror onde se vê o fantasma sempre que ele aparece e, mesmo sem o ouvirmos, como tem conversas com uma criança em idade de repetir tudo o que ouve, sabemos o que diz. Na componente do terror não foram tomadas decisões inteligentes. Ainda que haja um ou outro puxão, é um fantasma pouco poderoso que apenas manipula uma criança com conversa. Caso o filme se preocupasse em construir uma atmosfera, isso poderia ser arrepiante, mas de filme de terror acaba por só ter algumas noções estando apoiado nos ombros de Sophie Nélisse com a sua personagem algo apática que vai fazendo força para tentar sair do estereótipo. Michael, por outro lado, é uma personagem peculiar. A sua curiosidade por várias ciências leva-nos para os filmes dos anos 80 (época onde a história se passa considerando que a tecnologia mais avançada que vemos é um walkman) e o facto de ser o único confidente de Molly revela a intenção deste filme: é um filme familiar. Molly e Michael são a única esperança de Heather, e os adultos são figura de corpo presente. Por isso é que não assusta! Mudando a perspectiva para filme para ser visto em família… talvez falar de alucinações e suicídio seja um exagero. Qualquer que seja o nicho para onde esteja dirigido, não sabe respeitar as suas regras e fica perdido em terra de ninguém. Poderá ser compreendido por adolescentes que se identifiquem com o isolamento, as famílias retalhadas e os problemas só deles para os quais não aceitam ajuda, mas isso não é uma fatia de mercado onde se consiga impor contra blockbusters. Que o livro tenha funcionado só confirma que a imaginação é prodigiosa. Mas passar para filme assim não foi das melhores decisões. Elenco perfeito, cenário com tudo o que era preciso… e no fim manteve-se a sensação de desilusão que se adivinhava. O terror canadiano já nos deu muito melhor. Resta esperar que isto tenha sido uma excepção e não a nova tendência. Filmes Filmes 2016 adolescentescasa isoladaFantasmasIsolamentoMOTELx 2016Nuno Reis