Blood Money Nuno Reis, 30 de Setembro de 201830 de Agosto de 2025 Este filme diz ser uma revisita ao tema de “The Treasure of the Sierra Madre”. Não o é. Agora que estamos esclarecidos, vamos ver afinal o que é. A história acompanha três amigos de infância que se reencontram após algum tempo afastados. O seu plano é acamparem nos bosques como antigamente e porem a conversa em dia. O único problema é que encontram os sacos que um criminoso em fuga perdeu. Vamos então ter quatro pessoas na floresta, alguns milhões, e várias conversas filosóficas sobre a vida. Victor (Ellar Coltrane) é o que ficou. Tem um trabalho miserável, mas apenas uma ambição na vida: ele continua profundamente apaixonado por Lynn e anseia por esta oportunidade para a rever e falar. Jeff (Jacob Artist) foi estudar para fora. Tem o dinheiro dos pais, mas tenta ser alguém além disso, e também tem sentimentos por Lynn. Já a nossa protagonista (Willa Fitzgerald) que era uma atleta com bolsa de estudos, após uma lesão perdeu a bolsa e as perspectivas de futuro. Ficou sem rumo e tanto dinheiro faria uma grande diferença. Do outro lado está Miller (John Cusack) que é um criminoso de colarinho branco. Não sabe ser violento, não se mexe bem no mato, e não tem muita pontaria. É a sorte deles pois de resto estariam perdidos. As duas facções encontram-se por duas vezes antes do conflito. Isso permite a Miller dar algumas palavras, aconselhar como pessoa mais velha. Claro que assim que a primeira nota aparece, todas as relações mudam. E é aí que vamos ver as relações de infância a serem postas à prova devido aos novos valores (morais e financeiros), enquanto todos eles são tentados e testados ao limite. Devo dizer que a cena de abertura é enganadora. Achei que fossemos ver um novo “Deliverance” ou algo assim. Mas é apenas um paciente jogo do gato e do rato com diferentes movimentos e alterações nas alianças que vão mostrar o pior da humanidade. Cusack tem um papel interessante por parecer totalmente desenquadrado do meio. Nos jovens Fitzgerald assume facilmente o protagonismo e é a quem mais se exige movimentos e expressões. Ainda que tenha momentos maus, cumpre. Jeff é demasiado plano para Artist se destacar. E Vic, que teria alguma complexidade e parecia ter oportunidades para crescer, também fica preso num estereótipo da idade sem grande margem. Podiam ser personagens complexas e com muito sumo, mas fica do lado do espectador extrair alguma substância pois o filme deixa tudo em meias palavras. Com uma realização mediana e uma edição que parece ter deixado muito de fora, é um filme que se vê, e, se for com amigos de longa data, poderá levá-los a fazerem pactos preventivos. Mas nada de especial e facilmente dispensável. Filmes Filmes 2017 Nuno Reis