Rings Nuno Reis, 10 de Março de 201711 de Dezembro de 2025 O fenómeno Ringu apanhou o Japão de surpresa. A mera sugestão de uma cassete de vídeo poder espalhar uma maldição tornou-se viral e a saga espalhou-se por várias sequelas, prequelas e até um crossover com a maldição de Ju-On. Nos EUA a saga tomou o nome Ring e sob a direcção de Gore Verbinski e com o protagonismo de Naomi Watts também conseguiu números surpreendentes para um filme de terror, ainda que as sequelas não tenham sido tantas e só em 2017 tenha saído a terceira. Esta última parte demorou a sair, mas os nomes em volta dela eram prometedores, com F. Javier Gutiérrez como realizador e um elenco com o enorme Vincent D’Onofrio e o mediático Johnny Galecki. A história é sobre um estudo académico da maldição e como se pode transferir o peso da morte em sete dias para outra vítima que o passará para outro voluntário eternamente, como num belo esquema de pirâmide condenado a falhar quando alguém decidir que não quer arriscar a própria vida e esperar que o venha salvar. Quando um dos alvos marcados se esconde e a namorada decide ir procurá-lo, ao mesmo tempo que a polícia investiga as mortes, a cadeia fica comprometida e a única forma de escaparem é indo à origem do mal e resolvendo o que atormenta Samara para que ela os deixe em paz. Quando o filme começa dá a impressão que actriz e actor terão um peso semelhante na narrativa. Com o passar do tempo ela vai ganhando importância, mas o actor não desaparece completamente para um plano secundário como se esperaria num filme destes. Matilda Lutz (italiana) e Alex Roe (britânico) parecem o típico casalinho americano e conseguem um desempenho competente. Galecki tem um papel diferente do que temos visto em “The Big Bang Theory” e que repetia em “The Master Cleanse”, mostrando finalmente algumas capacidades além do que lhe vemos semanalmente e parecendo ser capaz de muito mais. Já D’Onofrio dispensa palavras pois consegue ser brilhante, por muito pequeno que o papel seja. O problema de “Rings” está na falta de imaginação do argumentista. Aliás, argumentistas. Foi escrito a seis mãos e ainda assim quem tem visto terror no último ano não encontrará nada de novo. Entre os mais recentes “It Follows” e “Don’t Breathe”, até os clássicos “Flatliners” ou “The Final Destination”, “Rings” é uma série de ideias gastas ou obviamente roubadas de outros filmes não tão mediáticos e portanto que o público mainstream não reconhecerá. Ou seja, é um filme de terror para enganar quem não vê cinema de terror. Tem tudo o que precisa visualmente e usa bem o som, mas quem espera algo digno de encerrar uma trilogia que definiu um antes e um depois no terror acabará revoltado e quase com vontade de chorar. Se não são fãs do terror e só procuram os blockbusters, terão algumas emoções fortes e poderão achar alguns twists e mensagens escondidas interessantes. Se estão por dentro do que vai sendo feito nos EUA (é que nem é preciso ir mais longe) em termos de terror, mais vale irem ver uma comédia romântica ou uma animação com animais falantes pois aqui nada vos assustará. Filmes Filmes 2017 Nuno ReissequelaThe Ring