Suburbicon Nuno Reis, 5 de Janeiro de 201827 de Outubro de 2025 Suburbicon – esperar o inesperado Por vezes quanto menos informação tivermos de um filme, melhor. Saber que esta produção era realizada por George Clooney com Matt Damon e Julianne Moore no elenco, foi o suficiente para me convencer. Faltou só o detalhe de dizer que era um filme dos irmãos Coen não dirigido por eles. Nos últimos anos tenho estado numa relação amor-ódio com a dupla. O seu estilo continua a ser provocador, mas cada vez menos eficaz. Aqui temos um drama – aliás, dois – e alguns toques de comédia. A trama principal gira em torno da família Lodge. Gardner, Rose e Nicky. Com eles vive Margaret, irmã de Rose. Por fora são a família perfeita, na casa perfeita, nos subúrbios perfeitos… Até ao dia em que tudo muda. A chegada de uma nova família para a moradia do outro lado da rua, lança o caos na comunidade. A vida dos Lodge segue o mesmo caminho. É importante referir que esta história se passa numa época específica. Os anos 50 do século passado. A família que vem causar problemas a única coisa que fez foi ser negra numa comunidade branca. Primeiro os Mayers são tema de conversa, depressa se tornam uma ameaça por “não se adaptarem”. E portanto, uma turba a quem só faltam os chapéus em bico vai acampar à porta dos novos vizinhos, fazendo com que as autoridades se ocupem a vigiar os supostos “cidadãos de bem” em vigilância, e deixando espaço para os criminosos agitem impunemente. A vida dos Mayers merecia mais atenção, como sofrem agressões verbais e descriminação de variados tipos. Porque são excluídos de uma comunidade que diz que todos são bem-vindos, independentemente do seu estado de origem, não referindo que a pele faz diferença. Enquanto isso, o seu filho brinca com Nicky sem problemas porque os pequenos não querem saber disso. O destaque do filme vai para o crime que ocorreu na residência Gardner. Também na investigação policial e da seguradora, mas principalmente o impacto em cada membro da casa e da família alargada. Começam a desfiar camadas de intriga e histórias secundárias. Com algum humor que funciona, algum humor negro nos momentos certos, mas também alguns temas que era melhor terem evitado completamente. Nas ruas vemos parte do pior que a humanidade é capaz. Mas dentro de casa também. Realização muito competente, com planos bem pensados e a tirar o melhor dos actores ainda que as expressões tenham sido muito controladas. Um luxo ver duas Julianne Moore na época que melhor a valoriza (a fazer lembrar quando tivemos o prazer de a ver em “Far From Heaven” e “The Hours” com semanas de diferença). E as personagens conseguem fazer o inesperado, mesmo que nem sempre no melhor sentido. O grande destaque iria para Oscar Isaacs que, com um curtíssimo tempo de cena rouba o filme aos veteranos. O filme dá o soco no estômago que se esperava, mas tudo o que ficou por dizer era fundamental. Aguarda-se sequelas, prequelas e demais variações conhecermos melhor todos os secundários que ficaram por explorar. Filmes Filmes 2017 famíliaNuno Reisplano falhadoRacismoSubúrbios