Ladies in Black (2018) Nuno Reis, 17 de Agosto de 202525 de Outubro de 2025 Alguns filmes quando estreiam passam despercebidos do grande público. Outros, nem recebem essa oportunidade. Ignorado pela distribuição em Portugal, “Ladies in Black” foi dos melhores títluos a ir directamente para televisão nos últimos anos. Nem é uma sequela do terrorífico “The Woman in Black“, nem é uma nova versão da ficção-científica “Men in Black”. É um drama de época australiano que pega em vários temas muito relevantes e os apresenta como uma comédia de costumes supostamente focada no público feminino, mas que todos deveriam ver. Ontem vi pela minha segunda vez. Baseado no livro “The Women in Black” de Madeleine St. John, acompanha a jovem Lesley, ou Lisa. que começa a trabalhar numa grande loja de Sydney nas férias de Verão de 1958-59, antes de ir para a faculdade. Aí vai ter contacto com mulheres de várias idades, de diferentes estratos sociais, e níveis culturais. Com as clientes mal interage, mas entre as colegas, ainda que todas se saibam vestir e comportar, há diferenças claras. Lisa dá-se imediatamente bem com Fay. Tem cerca de 30 anos, muito experiência na loja e de vida. E enquanto Fay a educa sobre as pequenas coisas do dia-a-dia. Lisa recomenda-lhe livros. E depois temos Magda, uma refugiada eslovena que é gozada pelas costas pelas colegas, mas que é a primeira a ver algo de especial por trás da aparência inocente da nova aprendiz. Num equilíbrio entre as expectativas de toda a gente, incluindo os pais, Lisa vai amadurecendo e aprendendo tudo o que pode nesse curto intervalo de tempo. Existem diferentes camadas no filme de Beresford. A mais óbvia é a suave entrada de Lisa na vida adulta que os pais não se estão a aperceber ou aceitar. Através de pequenas grandes mudanças no guarda-roupa, nas companhias e nos temas de conversa, vemos como o contacto com pessoas crescidas a faz evoluir de forma acelerada. Depois temos as colegas, em especial Patty e Fay. Enquanto Fay procura marido, Patty tem problemas no matrimónio. Duas visões de uma sociedade em que a mulher ainda era muito dependente do homem e tinha pressão social para se emparelhar (não quer dizer que ligasem a isso). E pelos olhos de Magda vamos ter a perspectiva de quem é de uma classe diferente. Chegou como refugiada, mas depressa escalou para retomar o estilo de vida que tinha na Europa. E indiferente aos comentários dos locais sobre si, faz com altivez os seus próprios comentários mordazes sobre os australianos e os emigrantes, em especial os seus amigos. Podemos ainda considerar os pais de Lisa que são observadores passivos de mudanças tanto na própria filha como no seu país. Todos eles fazem parte de uma sociedade multi-cultural, com a discreta rivalidade Sydney-Melbourne pelo meio, um trauma de ex-colónia, e numa época de enorme progresso. Tudo isso filmado com gosto e um guarda-roupa rico (apesar de pelo título parecer que vestem sempre de igual). O filme parece começar aos ombros da jovem Angourie Rice, mas tanto Julia Ormond como a europeia e Rachael Taylor como a beldade australiana, e em menor grau Alison McGirr com o sofrimento no rosto e Ryan Corr como escape humorístico fazem um belo papel. Em suma, ainda que cada um tenha a sua vida e ambições, todos ajudam de alguma forma na educação e no desenvolvimento pessoal da jovem, sabendo que nela está o futuro. Especial destaque para o plano final de Rice a dizer que gostaria de ser actriz. Ainda que tenha andado apagada desde os filmes do Spider-Man, ainda é a actriz que representa o futuro da Austrália. Filmes Filmes 2018 adolescentesImigraçãoMulher forteNuno Reis