Leviano Nuno Reis, 20 de Julho de 201811 de Outubro de 2025 O filme que queriamos, não o filme que pedimos Vamos directos ao que interessa: este filme vendeu-se como sendo algo diferente e muito ousado. Formalmente, seria o retrato de uma geração leviana. Informalmente, o sexo iria vender bilhetes. Certo é que teriamos Anabela Teixeira e um elenco jovem e deslumbrante. A trama supostamente é sobre um crime, mas nada aponta para isso. A melhor descrição é que é sobre três irmãs em momentos críticos da sua vida. Porque são adolescentes e cada dia mau parece ser o fim do mundo. Só que desta vez houve um dia mesmo mau. Por entre os seus vários problemas pessoais, vão ter de se unir e tentar ser uma família. Apesar do pretexto ser a leviandade da juventude, explora toda degradação moral que se esconde por baixa da capa de perfeição da alta sociedade. Uma classe que se acha isolada das restantes, mas que tem os mesmos vícios e defeitos ainda piores. A história é destribuída em flashbacks durante uma entrevista. Na prática é contada de forma linear, e intercalada por uma entrevista que nos vem revelar e recordar que ocorreu um crime. Um detalhe que em nada contribui para a narrativa e até interfere. Retirando isso ficaríamos com um filme mais interessante. Justin Amorim na sua primeira longa fez uma coisa arriscada: experimentou. Pegou em diferentes estilos artísticos e combinou-os. Nota-se a enorme influência de Hollywood. Não se nota um estilo próprio. Isso foi excelente para o elenco que teve oportunidade de experimentar. E para nós que vemos. Adelaide Moreira é a mãe. Incapaz de reconhecer a idade e de cumprir os deveres familiares, é completamente egoísta. Agradecemos o pouco tempo de ecrã pois é um elemento desestabilizador. A sua presença em overacting desconcentra, a sua ausência lança as filhas para a aventura. Diana Marquês Guerra é Adelaide, a mais velha. O título internacional é a sua personagem. Com dezanove anos rebela-se com a autoridade da mãe e faz de tudo para ser problemática. Mikaela Lupu é Júlia, a da meio. A irmã mais prudente e discreta. Não tem cenas marcantes e cumpre os mínimos. Alba Baptista é a mais jovem e também começa muito discreta, até ao momento em que o filme se foca nela. Aí tem uma cena exagerada e uam desnecessária, mas atendendo à idade nem se saiu mal. Dos restantes, o destaque vai para João Pedro Correia e Pedro Barroso que acabam por ser as influências maiores numa história focada apenas em três pessoas. Falemos também disso. O marketing focou-se na sensualidade e juventude do elenco. Atirou nomes a torto e a direito de supostas celebridades misturadas com revelações. Ainda que alguns vídeos tenham sido originais, nenhum das promessas se materializou. Temos três actrizes de quem vale a pena falar. O resto, só se ficou na sala de montagem. Mesmo assim, vai-se vendo o filme sem muitas queixas. Só que a hiper-sexualização era desnecessária. Que “Leviano” podia ter uma narrativa mais fluída. Que o desfecho foi muito apressado (além de ser revelado no trailer). E que acabamos por não perceber a reacção da sociedade aos factos. Amorim experimentou muito, copiou tudo. No entanto, soube manter a sua lusofonia em vários detalhes. Tenho esperanças que aos poucos forme a sua própria linguagem e traga filmes melhores. Que não ceda tanto à produção e faça algo bom de se ver. Filmes Filmes 2018 Nuno Reis