Noelle (2019) Nuno Reis, 13 de Dezembro de 202516 de Janeiro de 2026 Anna Kendrick tinha o sonho de fazer um filme de Natal. Algo que pudesse ser visto pelas famílias ano após ano. Com o seu currículo não seria difícil ter a oportunidade, mas o que seria adequado ao seu perfil? Acabou por ser “Noelle”, um filme Disney que parece feito à medida para Kendrick. Noelle adora tudo o que tenha a ver com o Natal. Pudera. Afinal, ela é filha do Pai Natal. O seu trabalho é criar postais de Natal. Postais bonitos, com frases lindas e cobertos de brilhantes. Uma tarefa muito importante. Quando chega a vez do irmão Nick ser Pai Natal, ele tem imenso pânico de não conseguir. Vai ser Noelle a ensinar-lhe os truques todos, como ver quem foi bem ou mal comportado, como falar as línguas de todos os países, como conduzir o trenó, e como entrar por chaminés bem apertadas. Até que Nick desaparece e Noelle é responsabilizada pelo comunidade pelo que pode ser o pior Natal de sempre. Enquanto eles tentam desenvencilhar-se com o seguinte na linha de sucessão, ela pega no trenó e vai para Phoenix em busca do Pai Natal. Sendo o Natal um evento centrado numa única personagem, não se pode pedir originalidade. Temos imensos filmes com o mesmo conteúdo, sendo “” o mais conhecido. Por vezes temos variações como “” ou sobre Rudolfo, mas é quase sempre sobre o velho Nicolau. O grande elemento diferenciador é que aqui temos uma mulher a vestir o gorro. Se houve polémica com a troca de Doctor Who e com a possível troca de James Bond, então trocar alguém chamado Pai seria o descalabro. Por isso a escolha de Kendrick foi acertada. É um filme que brinca com os clichés e precisavam de alguém exactamente assim: adorável, meio trapalhona, com a frase certa no momento certo, e capacidade de cantar um pouco. Mas principalmente, alguém capaz de aguentar a bronca que desse online pelos críticos misógenos. Foi a escolha perfeita. O mesmo não pode ser dito do irmão. Bill Hader é um génio da comédia, mas foi subaproveitado neste filme e era demasiado velho para fazer de irmão dela. Para compensar, temos uma Shirley MacLaine muito competente a ser sábia conselheira ou velha louca consoante necessário. O resto do elenco não interessa. Com bons efeitos digitais (as renas são adoráveis) e a história mais original que se podia num tema tão revisitado, “Noelle” é o género de filme que pode perdurar como Kendrick desejava. A prova é que já aguenta há 5 anos nos tops da sua plataforma para esta época. É um filme sobre uma mulher que assume as rédeas do negócio familiar, mas que neste caso é responsável pela alegria do mundo. Não quer saber das regras estabelecidas séculos antes, quer fazer o que tem de ser feito e assegurar a harmonia e a justiça na entrega de recompensas. Tudo o que é preciso para esta época. Filmes Filmes 2019 famíliaIrmãosMulheresNatalNuno Reis