Z-O-M-B-I-E-S 2 (TV 2020) Nuno Reis, 1 de Agosto de 202523 de Outubro de 2025 Dois anos depois do primeiro, eis a sequela. E o que pode ser melhor que ter zombies no secundário? Adicionar lobisomens, claro! Estamos de volta para o segundo semestre. Mais uma vez a abertura do filme é em animação e mostra a criação da cidade em tempos idos. Quando a floresta estava povoada por lobisomens e os humanos tiveram de se fortificar para sobreviver. Como nesse momento roubaram a pedra que dava energia aos licantropos, os humanos ficaram em vantagem e tornaram-se senhores da terra. Só que a energia dos talismãs está a acabar e os habitantes da floresta estão dispostos a tudo para recuperarem a fonte do seu poder. Incluindo… juntarem-se à escola. A fórmula original estava um pouco gasta, é normal que tenham tentado trazer alguma confusão para adicionar suspense. E como Zoe tinha dito no primeiro filme que adoraria ter um cão, faz todo o sentido. Aliás, Zoe é a primeira e maior fã deste novo grupo ainda que pouco apareça. Neste filme Bucky quer voar mais alto, assim como Zed, e Addison tem a possibilidade de realizar o seu grande sonho, cedo e sem grande esforço. Como capitã das cheerleaders, poderia finalmente unir humanos, zombies e até os lobisomens, que recebe de braços abertos. Mas claro, as coisas não ditas acabam por corroer as relações e trazer problemas para onde não existiam. As principais diferenças em relação ao primeiro filme são os ocasionais desentendimentos entre grupos. Com os lobisomens a serem os intrusos, mas os zombies a ainda serem discriminados quando conveniente, mesmo que sem grande culpa. Foi inteligente terem desviado o tema de cheerleading e futebol – já gastos – e terem-se focado mais nas relações pessoais. As pequenas sabotagens entre estudantes são menores, ainda que haja muitas rivalidades. Uma opção arriscada que só funcionou por ser filme infantil. Sim, a mensagem de inclusão continua forte pois o preconceito é o único vilão. Diria que foi quase imposto como regra para os estudantes que confiem cegamente em quem vem. Até Bucky acaba por reduzir as suas mesquinhices do costume para um mínimo. E o grande ponto forte é como os lobisomens assumem quem são. Enquanto os zombies se queriam integrar, os lobisomens, apoiados no trabalho de aceitação dos seus antecessores, podem ser quem são desde o primeiro dia, o que muito dignifica todos os monstros. Mas ser um lobisomem também significa pertencer a uma alcateia. Ter uma família e apoio incondicional. Pegaram bem no cabelo branco de Addison para a ligarem aos lobisomens, sem que isto entrasse nas rivalidades estilo Twilight. Mesmo o possível erro do filme (os zombies tinham toda uma pirâmide etária na sua sociedade em apenas 50 anos, porque eram os seculares lobisomens todos da mesma idade?) e foi bem justificado com o facto de a falta de energia tornar os jovens os únicos capazes de ainda se moverem. O filme fi mesmo bem escrito não apenas uma tarefa para despachar devido a um compromisso prévio. Deu para vermos mais danças (continuam incríveis), ouvirmos novas músicas (demasiado produzidas) e algumas das velhas, e até para formar novos casais. Connelly com a nova identidade visual foi quem mais acusou os dois anos que passaram entre rodagens, mas continua incrível em tudo o que faz (faz um gesto menos bem em todo o filme). O apogeu do filme (e o seu erro) chega na dança “Call From the Wild” que é um hino motivacional ao nível de “Fired Up” no primeiro filme. Manheim continua a ser a locomotiva que puxa o filme e foi muito surpreendente a facilidade com que muda de registo entre zombie fixe, monstro descontrolado e quase humano. Uma enorme versatilidade que augura bom futuro. Com a cena de fecho deu vontade de passar logo para o terceiro, mas este texto tinha de sair antes das influências. Filmes Filmes 2020 Disney ChannelNuno Reis