Lilly Nuno Reis, 22 de Dezembro de 202522 de Dezembro de 2025 Com a legislação europeia sobre transparência e igualdade salarial à porta, 2025 foi o ano em que estreou um filme sobre essa mesma luta nos EUA. A biografia de Lilly Ledbetter, a mulher que iniciou um movimento. Para contexto, esta Lilly do título era uma mulher a querer um emprego para dar melhores condições à sua família. Era trabalhadora, capaz e esforçada, mas por ter convicções arranjavam sempre forma de a despromover. Até que um dia recebe provas que a estavam a discriminar. Não só no trabalho que lhe davam e nos horários, mas mesmo no salário. Nesse momento é despedida e vai começar um processo judicial para recuperar o que lhe era devido. Só que a lei não está do seu lado e por isso, o que era um simples processo de direitos de trabalho, acaba por se tornar num movimento à escala nacional para corrigir a lei. A realizadora Rachel Feldman tem muitos anos de experiência no meio. Sabia que estava a contar uma história sobejamente conhecida, com personagens muito populares, pelo que se aproxima mais da compilação documental do que uma obra de ficção. Vamos ver imagens de arquivo com Ruth Bader Ginsburg a clamar a injustiça da lei. Vamos ver candidatos presidenciais a porem a lei em primeiro lugar no seu plano eleitoral. Não vamos ver um levantamento popular de apoio. Porque os trabalhadores preferem ficar calados a defenderem os seus direitos. Alguém tem de falar por eles. A parte cinematográfica da história está centrada na poderosa Patricia Clarkson que tem o dom de parecer sempre normal e a capacidade de carregar o mundo nos ombros. Lentamente a narrativa começa a suplantar os vídeos de arquivo. Conta detalhes da vida pessoal de uma mulher que quis combater uma injustiça a acabou como a face de um movimento. Mostra como foi importante o apoio da família, de um advogado, e de movimentos partidários com interesse em iniciar a discussão. Mas acima de tudo, alguém que abdicasse de uma vida sossegada para estar em digressão pelo que é correcto. RBG diz que um dos momentos mais importantes da sua carreira ímpar foi a criação desta lei. Para isso bastou gritar quando todos ficaram calados. Para dizer a outra mulher que não estava sozinha, que não era louca por questionar a lei que a prejudicava. No mês em que Ledbetter faleceu o filme estava a ser exibido. Talvez isso tenha acelerado algumas decisões, mas o conteúdo está todo lá. O filme assume-se tendencioso. Um bom elenco disfarça a enorme velocidade a que nos passam informação (condensa trinta anos de mudanças em hora e meia). Sabemos que não tem como propósito informar ou educar, mas sim homenagear quem lutou para que as gerações seguintes tivessem uma vida melhor. Quem sabe, inspirar mais algumas mudanças. Filmes 2025 História VerídicaMulher forteNetflixNuno ReisPolítica