I Live Here Now Nuno Reis, 16 de Setembro de 202526 de Dezembro de 2025 Acredito que os filmes que vemos contribuem para a nossa personalidade. Quando nos tornamos cineastas, é ainda mais fácil trazer essas influências. Queremos replicar tudo o que gostamos de ver quando a situação justifica. Umas mais óbvias, outras subliminares, outras numa mescla de estilos e sensações. No caso de Julie Pacino – que sabemos ter crescido no meio e perto de vários dos grandes que já utilizaram a arte como meio de comunicação – esperávamos muito. Queríamos uma primeira obra de quem usou um código de batota e começa duas voltas à frente de quem não tem a rede de contactos do nome Pacino. Mas esta realizadora não quis abusar. Quis trazer a sua visão com um elenco pequeno e relativamente desconhecido. Demorou uns anos a começar a carreira. Fez uma curta antes. E aqui na longa quis contar uma história simples. Uma onde o ambiente fosse uma personagem e o telemóvel uma maldição. Rose é uma mulher a tentar fazer carreira em Hollywood. Quando uma oportunidade melhor que o habitual serge, também a sua vida pessoal tem uma novidade. Pressionada de todos os lados, ela foge e refugia-se perto das suas origens, num hotel invulgar. A decoração faz lembrar o Overlook, a estrutura é do Chelsea (the walls are paper thin), o pessoal é tão metediço como no Bates Motel, e o horário de check-out é do California (you can never leave). Se todas estas referéncias parecem excessivas, também o filme vai parecer. É que dizer simplemente que foi inspirado em Kubrick e Lynch seria um eufemismo. Foi claramente roubado. Decoração, ritmo, complexidade, vem tudo de fora, Existem diversas personagens que representam algo, mas isso é óbvio desde o início. Mesmo a metáfora principal está longe de ser subtil. Em termos de linguagem, é um parente pobre de váios filmes. Rose vai balançando as várias fontes de stress (prazos para as obrigações profissionais, planos pessoais, telefonemas da “sogra”, um incêndio nas redondezas do hotel…). Visualmente cansa depressa e a narrativa acaba por não fugir ao previsível. Com a devida ressalva que o final é diferente. Aliás, os primeiros cinco minutos são o mais normal possível e os cinco finais estão bem distantes da normalidade. A linguagem própria venceu de forma clara. O que este filme traz de novo é que foi feito para o público feminino. Como homem é muito complicado perceber alguns dos detalhes e várias das metáforas parecem exageradas. Mulheres a realizar, quantas mais melhor. Elenco quase totalmente feminino (um homem nos oito primeiros nomes), excelente. Mas ter uma história só para mulheres sem qualquer pré-aviso, é um golpe baixo para quem compra bilhete. Gostava de ver opiniões femininas sobre esta obra, mas calhou que acabei numa mesa com seis homens a dizer o que não tinham gostado e nenhuma mulher que mos elucidasse sobre o que não tínhamos interpretado bem. Valeu pela novidade, mas nãp verei outro dela sem me informar bem antes sobre ao que vou. Filmes Filmes 2025 HotelMOTELx 2025Nuno ReisSolidão