If I Had Legs I’d Kick You Nuno Reis, 15 de Fevereiro de 202615 de Fevereiro de 2026 2025 foi um belo ano para . Além de “” que escreveu, produziu e realizou, ainda produziu outro dos títulos nomeados a Oscar este ano, “If I Had Legs I’d Kick You;”. Este é também um regresso para que esteve afastada da realização por 15 anos, e do cinema por 14. Vamos ver um filme fora do comum, por vezes perturbador, e sem um grande fio condutor. Por vezes nem a personagem sabe em que semana está. Isso faz parte da mensagem. É uma história sobre depressão, sobre maternidade, numa pessoa na iminência de um colapso nervoso. A banda sonora contribui muito para isso. O filme é todo em torno de . Vamos vê-la como Linda, primeiro uma mulher em terapia que é também uma mãe com os problemas normais. Até que subitamente o tecto cai. E enquanto algumas pessoas ficariam em desespero com tal situação, Linda está em tal estado que não pode piorar. A filha tem uma doença estranha. O marido ausente é apenas causador de stress. O trabalho não lhe corre bem (qual o seu trabalho vai ser uma revelação algo surpreendente). E, no entanto, Linda segue em frente. Não por ser forte ou corajosa, apenas porque não tem alternativas. Mas toma alguns atalhos. O elenco que temos aqui é só novidades. no seu primeiro papel sério é uma boa surpresa. começa a ter uma carreira cinematográfica séria. Byrne tem feito filmes relativamente ligeiros – comédias e super-heróis – e aqui lança-se num drama. Costuma ser uma actriz secundária e aqui é a protagonista quase solitária por praticamente duas horas. Costumamos gostar dela, e aqui é uma pessoa com muitos defeitos, agressiva e algo leviana. Contudo, é humana. Quando sabemos os motivos do seu sofrimento, sabemos que não reagiríamos melhor. Quando ouvimos as outras pessoas, também nos apetece gritar. Ela simplesmente está a ser moída nessa mó há demasiado tempo. Nós apenas chegamos tarde. Estamos a assistir ao ponto de rutura sem saber tudo o que levou a isso. A sua nomeação a Oscar não surpreende e diria que só lhe poderá tirar o troféu. O filme vai alternando entre cenas em que está em controlo e em que grita com todos. Varios episódios soltos com poucos referências temporais, que parecem ser numa só semana, mas acabam por ser mais dias. É por isso que digo que estamos perdidos no tempo. A cena maior do filme é uma discussão por telefone em que ela segura as rédeas na sua vida ao mesmo tempo que discute com todos ao redor. Seria um ponto de ruptura óbvio, mas aguenta. É uma força enorme. E pouco depois sim, começa tudo a desmoronar. É uma ode às pessoas que sofrem. Às que pedem ajuda e às que não pedem, mas deviam. Obriga a falar de saúde mental. Obriga a reflectir sobre o nosso estado. E não é certamente para ver em maratonas. É um filme que precisa de espaço para se processar. Para falar. E talvez para repensar algumas relações. Filmes Filmes 2025 AnimaiscasamentodoençamaternidadeNuno Reis