Influencers Nuno Reis, 31 de Janeiro de 20261 de Fevereiro de 2026 Estamos perante um dilema. Há dois tipos de informação relacionada com este filme que deveriam ser ditos. Mas falar de um estragaria metade da experiência. Portanto, este filme terá uma novidade. Uma pequena crítica sem spoilers, e o resto disponível apenas se clicarem. Leiam até onde quiserem por vossa conta e risco. Vivemos na era do digital e da informação. Isso significa que estamos sempre com tecnologia por perto e que tudo o que se faça gera dados. Poderia ser dito que é quase impossível estar anónimo. Isso é ainda mais evidente quando se tem algo de único visível. A actriz Cassandra Naud tem um enorme sinal na face. Não digo “grande” estilo um centímetro. Mesmo grande, a tapar quase uma bochecha. É conhecida por isso. Por ter optado por uma carreira em que está sempre a ser observada, indiferente às críticas que pedem caras perfeitas. E o realizador Kurtis David Harder soube tirar partido disso. Criou um filme em que a personagem tinha isso. Ora, se há duas coisas que tal personagem não pode fazer, é passar despercebida e fazer-se passar por outra pessoa, certo? “Influencers” começa com uma cena algo violenta e salta para o oposto. Christine tem tudo planeado para uns fim-de-semana romântico com a namorada, DIane. Vão visitar um palácio no sul de França, provar vinhos… São um casal funcional, ainda que Diane seja fotógrafa e Christine seja contra tudo o que tem a ver com mostrar a sua cara singular. No palácio, uma grande influencer inglesa vai-lhes estragar parte dos planos, mas fazer os possíveis para as compensar. É quando começamos a ver o lado mais negro desse mediatismo. Bem faz Christine em evitar as câmaras. É um filme muito pouco sobre redes sociais e mais sobre os avanços da tecnologia. Sobre viver o momento em carne e osso, mas ter liberdade de percorrer o mundo e continuar em contacto com a família. É sobre vigilância, sobre estar sempre online, sobre partilhar em demasia, e sobre anonimato. Tem um elenco muito competente e adequado ao tema, e tão depressa apoiamos as vítimas como os vilões. Mas só porque algumas pessoas de tão fúteis e crédulas que são, merecem alguns dissabores. Naud é o centro do filme, mas Lisa Delamar também está incrível. Excelente adição para mostrar o outro lado de CW, o nome de Christine numa outra vida, num outro filme. Foi uma grande surpresa saber que é uma sequela, mas funciona até melhor se não soubermos da primeira parte. Na maioria do filme tem um amor devoto, tem mistério e teorias da conspiração, e quando chegamos ao terror também não ficamos desiludidos. Diz muito cedo que é terror, mas é só para as pessoas não irem ao engano pois até lá podia ser muitos outros géneros. Satisfaz completamente e a mensagem que queria transmitir está bem entregue. Se isto fosse uma grande saga, o segundo capítulo teria tantos trailers que era impossível guardar segredo. Nem valia a pena fingir. Mas “Influencer” (na Netflix) não foi um grande fenómeno. Quem viu o primeiro filme e quer saber do que trata a segunda parte, pode seguir em frente. Os restantes, é melhor avançarem para o artigo seguinte. Clique para ler o resto Para quem viu a primeira parte. Um detalhe maravilhoso de “Influencer” é como os créditos aparecem quando já nem nos lembramos que estavam em falta. Passada meia hora. Pois aqui isso acontece novamente. A primeira meia hora é para dar contexto a quem não conhece CW. Vamos ver a sua relação com Diane em todos os seus altos e baixos. Quando chegam os créditos, somos recordados do que se passou numa ilha deserta da Tailândia. Temos Madison de volta, em busca da mulher supostamente mais fácil de encontrar do mundo. Temos um jogo do gato e do rato entre duas mulheres que se conhecem demasiado bem e com diferentes formas de jogar. Enquanto CW se esconde e manipula influencers a seu bel prazer, Madison tenta fazer tudo sozinha pois a opinião pública ainda não acredita nela. Ambas capazes de matar para manter ou acabar com a mentira vinda de trás. Grandes paisagens, grandes truques tecnológicos (um deles penso que não foi bem pensado) e uma enorme satisfação em ver como duas pessoas podem jogar o jogo dos enganos numa batalha mais eficaz do que criativa. Vivemos tempos novos e interessantes e o cinema está a reinventar-se muito depressa. Filmes Filmes 2025 Inteligência ArtificialInternetMulher fortenamoroNuno Reisplano inteligenteViagem