Jingle All the Way (1996) Nuno Reis, 14 de Dezembro de 202515 de Dezembro de 2025 Continuando no tema da época, hoje vamos espreitar “Jingle All the Way”. Este filme de 1996 tem Arnold Schwarzenegger na sua fase cómica, ainda que seja também muito dependente do seu físico. Teve críticas mistas porque muitos o viram como uma sátira da selvajaria e loucura consumista em que o Natal se tornou. Com o tempo esses críticos foram finalmente forçados a ver o filme na programação televisiva e percebendo que é sobre um pai que quer ver o filho feliz. E assim, lentamente, foi-se aproximando do estatuto de clássico natalício. Como todos os anos, o brinquedo mais procurado do ano é o que estiver a dar na televisão. Todos os rapazes querem o herói da série “Turbo Man” e o resto do mundo aderiu à febre. Filme, desfile, não há ninguém que não saiba quem ele é. Excepto Howard (Schwarzenegger), tão focado no trabalho que quase nem se lembra do Natal. Por isso vai na véspera em busca do brinquedo que está esgotado há semanas em todo o lado. Por entre as filas e multidões, vai conhecer Myron (Sinbad), um pai na memsa situação. Quando percebem que está esgotado, como seria de esperar, vão começar uma corrida e competição que vai escalando até proporções perigosas. Como muitos outros filmes natalícios, é para recordarmos o que é importante nesta época e para aprendermos a dar valor às pequenas coisas. Ou mais valor às pessoas que às coisas. Arnold tem um bom papel, a recordar muito do que fez a interagir com crianças em “Kindergarden Cop”. Só que aqui tem um lado criminoso a complementar o de cumpridor da lei. E além de um grande Sinbad, que faz concorrência pelo protagonismo com um estilo de humor mais exagerado, também tem grandes momentos com uma rena e com Jim Belushi. A magia do Natal permite todos estes exageros. A edição do filme balança essa loucura com a normalidade dos momentos familiares com Liz (a esposa) e Jamie (o filho) e sem Howard. Mas quando se juntam os três também funciona. Claro que isso também acontece porque o vizinho (interpretado por Phil Hartman) leva a simpatia até ao nível assustador pelo que a normalidade deles parece maravilhosa. E quando Howard tem de ser elevar ao que nós queriamos ver, entra num exagero infantil perfeito para o que o filme nos preparou para ver. Olhando para o filme quase 30 anos depois, está muito datado no estilo de humor, mas a mensagem continua igual. Continuamos a ter uma febre consumista e muita gente a esbanjar dinheiro que não tem e a perder a humanidade aos poucos. O único presente importante é estar presente. Cuidado ao volante e a voar por aí. E sejam os heróis dos vossos filhos. Filmes Filmes 1990's BrinquedosNatalNuno Reis