Jurassic World: Rebirth Nuno Reis, 5 de Agosto de 202515 de Novembro de 2025 Há filmes de culto, há filmes que marcaram uma geração, e há filmes que redefiniram tudo e todos. Um dos inquestionáveis em todas essas listas é Jurassic Park. Foi mais do que revolucionário em termos de CGI. Colocou o tema dinossauro em todo o lado e inventou o merchandising de filmes para grande público (chegou inclusivamente aos meus lençóis de então). E a banda sonora é icónica. Quantos temas de filmes ainda reconhecem? Quantos sabem de cabeça? E quantos são dos últimos 40 anos? As bandas sonoras podem ser boas, mas as maiores pareciam estar todas no passado. Até John Williams voltar a fazer das suas e nos dar algo que merece a designação de obra-prima. Teve a devida homenagem em “Swiss Army Man”, mas continua a estar presente nas nossas memórias. Depois do filme original vieram umas sequelas de menor qualidade. Depois uma tentativa de remake que devolveu a chama por ir buscar toda a nostalgia. E novamente sequelas piores. E agora vem um novo filão. Com alguns nomes potentes no elenco como Scarlett Johansson e Mahershala Ali, mas no geral com uma visão muito próxima do original: o importante é ter dinossauros. Depois das ilhas Nublar e Sorna terem sido exploradas ao máximo, era preciso encontrar uma nova localização. Isso foi a parte fácil. Eesta nova aventura tem início num laboratório secreto e é muito próximo do filme de terror. Na cena seguinte temos Johansson que chega com as suas décadas de experiência em filmes de acção e comédia, a desmontar tudo isso. Ela é a veterana Zora Bennett e o seu novo trabalho é encontrar os maiores dinossauros do mundo e pedir-lhes um bocadinho de sangue. Uma missão ilegal e secreta com tudo para correr mal. À sua equipa de mercenários veteranos junta-se o cliente e um cientista e partem rumo ao passado. Por um lado não faltam dinossauros de vários tipos. Alguns originais, alguns fofos que recordam “The Land Before Time”, e alguns momentos aterradores ao estilo de “The Lost World: Jurassic Park”. Um grande momento de deslumbramento inspirado no primeiro encontro do filme, e um par de cenas de terror também próximas do que já vimos antes. Em termos de répteis, tirando uma cena em que se vê um bando a operar com estratégia, não temos nada com a inteligência dos raptors (devem ficar para outro filme), mas o lado selvagem é perigoso que chegue por si só. O boss final, apesar de muito inspirado no Indominous Rex, tem cara de xenomorfo o que quebra a magia. Do lado humano, Zora está demasiado relaxada para a situação, mas deve ter sido para demonstrar experiência. A química que tentam criar com Loomis (Jonathan Bailey) simplesmente não funciona,e Krebs (Rupert Friend) é um vilão demasiado comum. Por sorte o filme aprendeu com os anteriores e foi buscar uma família inocente para mostrar em alternativa aos caçadores profissionais. Alguém que não queremos ver morrer e que terão apenas a astúcia e sorte do seu lado. Há muito desiquilíbrio entre comédia e suspense na parte dos protagonistas, mas pelo menos com estes elementos externos isso está melhor gerido. Ver este filme foi como regressar a Skull Island. Gareth Edwards vem desse universo e percebe-se que a intenção fosse precisamente essa, mas Jurassic Park é algo maior que tudo isso. Aqui descartam a parte científica e ignoram os seis filmes anteriores. Querem falar de pessoas e tratar as criaturas como meros monstros. Sempre foi o contrário. Estes filmes servem como exemplo da efemeridade da vida humana, mas aqui apenas um diálogo menor – trocado num momento em que deveriam ficar calados – se foca nesse ponto. Como filme de acção remedeia. Como terror desilude. Como épico… nem a brincar. As melhores cenas e melhores músicas são roubadas ao resto da saga, mas pelo menos foram aplicadas nos momentos certos. Mais uma vez não há vontade de ver o seguinte, mas inevitavelmente não dá para escapar. Filmes Filmes 2025 AnimaisJurassic ParkMulher forteNuno Reissequela