Just Breathe Nuno Reis, 5 de Setembro de 202528 de Novembro de 2025 Toda a gente tem sérios problemas. Essa é a conclusão imediata que se tira do visionamento deste filme. Somos um mundo de gente imperfeita que vai disfarçando como pode para se dar bem com os outros. Faz parte da nossa natureza ser tolerante, aceitar os outros como são, mas há limites. Esta é a história de Nick. Ele é uma pessoa com tendência para resolver os problemas ao soco o que o colocou em terapia. Consciente das consequências que nova explosão trarão, vai-se portar o melhor possível. Até ao dia em que não aguenta. Perde a nomorada, o emprego, vai para a prisão. Quando sai em liberdade condicional, as suas prioridades são recuperar Mel, arranjar um emprego que o mantenha longe das grades, e manter o agente de liberdade condicional contente. Que por acaso é o extremamente simpático senhorio de Mel. Apesar do pouco visibilidade do filme, “Just Breathe” tem um elenco surprendente. Irei listá-lo na descrição das personagens. William Forsythe é um rosto conhecido. Aqui é Tony, o pai distante de Nick e criminoso reformado por obrigação. Tem uma presença controlada. Começa discreto, mas com a frase certa nos momentos certos torna-se a consciência do filho. Está muito desapontado e quer que ele se endireite antes de destruir completamente a vida. Emyri Crutchfield foi uma surpresa. Após algum sucesso na adolescência, tem vindo a construir uma carreira bem sólida e diversa. Tem como maior título no passado uma participação regular na série “Fargo” pelo que poderá não ser reconhecida imediatamente. A sua Mel é uma jovem que ainda não sabe o que quer na vida, mas sabe o que não quer e Nick tem de provar ser o companheiro certo. O seu segredo é um distúrbio alimentar que acaba por ser um gatilho para vários dos problemas no filme. Shawn Ashmore é um caso complicado por também ter um gémeo no meio artístico. Shawn é o dos X-Men e “The Rookie”, Aaron é o de “Veronica Mars”, “Warehouse 13” e “SkyMed”. Por isso sempre que um deles surge, entramos no jogo de adivinhar qual deles é. Como Chester tem outra personalidade mal escondida e a rápida mudança entre perfis é um dos pontos críticos do filme. O actor está bem na dualidade, o som que esclarece estarmos noutor modo ofusca os detalhes dessa mudança. E depois temos o protagonista, Kyle Gallner. Também ele uma cara conhecida de imensos trabalhos (saga “Smile”, “Scream 5”, remake the “A Nightmare in Elm Street”, e dezenas de título de terror), tem a rsponsabilidade de nos fazer crer que o único condenado pode ser o herói que precisamos. Lida com os seus demónios internos, com a saúde debilitante do pai, com o desinteresse de Mel e com a simpatia e disponibilidade de Chester que deixariam qualquer um suspeito. Da mesma forma que Ashmore tem a cara certa para acreditarmos que é boa pessoa, e se transfigura para revelar a podridão, Nick consegue expresar todas as emoções no rosto. Temos um bom trabalho de câmara que coloca cenas inteiras ao redor de Nick e funciona. Aliás, em todo o filme só a criança não está muito bem. Quando lhe pedem para estar desconfortável e apática, simplesmente não entrega. E há uma cena no climax em que, se tivermos atenção, fica arruinada por ela. De resto é um trabalho sólido de todos os envolvidos. “Just Breathe” não se distrai em manias de grandeza que não adicionaram nada ao filme e foca-se nos detalhes que contam. O realizador estreante (primeira longa e só uma curta antes desta) tem potencial e estou curioso de por onde nos levará. Filmes Filmes 2025 Liberdade CondicionalNuno ReisVingança