L’Eté Dernier Nuno Reis, 21 de Outubro de 20237 de Janeiro de 2026 Este título é um remake francês de “Dronningen”, filme dinamarquês de 2019 que estreou por cá como “Rainha de Copas” e teve melhores resultados de bilheteira do que esperaria. Ainda que no essencial esta nova visão seja muito parecida, há as obrigatórias diferenças culturais (pequenas) e uma grande diferença no final. Pode ser visto sem receio de estar a ver um filme duplicado. Para começar, Catherine Breillat é uma realizadora conhecida pelas ousadia nas temáticas. Desde que fez um papel em “O Último Tango em Paris” que tem explorado a sexualidade. Tinha pausado a carreira tanto por trás como diante das câmaras, mas este filme cativou-a. Sabia que tinha de explorar o tema. A pandemia atrasou um pouco o filme (até tiveram de mudar os protagonistas), mas a ideia estava clara. Seria um romance de Rohmer com a mentalidade do século XXI. Dez anos depois do último filme, Breillat voltou a dirigir. A história começa com Anne, uma advogada especializada em direitos das crianças. Ao voltar a casa depois de mais um caso ganho, o marido Pierre diz-lhe que Théo, adolescente filho dele de um casamento anterior, está preso e que o vai buscar. Théo vai começar a viver com o pai, a esposa e as duas crianças. Enquanto Pierre continua a trabalhar, Anne tem o Verão bastante livre e tenta criar laços com o marginal Théo, que faz os possíveis por a ignorar. Até a situação se inverter. É um filme que toca num tema delicado de diferentes formas. O visionamento vai espoletar discussões em alguns destes abusos certamente. Temos o fundametnal que é como adultos podem por vezes perder o controlo e fazerem algo que sabem ser moralmente incorrecto (e ilegal). Até uma advogada que trata desse tipo específico de casos. Em segundo a clássica justificação de “mas foi o menor que começou” e os limites da responsabilidade do adulto. Em terceiro, claro, ser uma mulher a abusar de um jovem. Aos olhos da lei é o mesmo crime, mas se fosse o inverso a crítica social seria mais unânime. E, finalmente, o ponto-chave da discussão neste caso: sendo um jovem já sexualmente activo com parceiros da sua idade, o adulto está realmente a tirar a inocência ou a obrigar a fazer algo? Podia ainda referir um tema extra, mas isso tiraria a surpresa a um dos pontos fortes do filme. A câmara não se mexe demasiado, dado a sensação de calma estival que o filme pedia. A fotografia cumpre muito bem e aproveita a luminosidade da cena seja ela qual for. O elenco tem muito nível (até conseguiram crianças que não parecem artificiais a interpretarem crianças). Há um ou outro ponto secundário em aberto, mas são situações da vida que não cabiam no filme e vinham de antes ou ficaram para depois. Aceita-se que tenham minimizado a importância. É diferente q.b. do original. Breillat tinha razão em querer expôr a sua ideia. Ainda que na maioria dos dias prefira o final dinamarquês, este ao gosto francês funciona muito bem e noutros dias é o meu preferido. Se não entrarmos em comparação ambos são relevantes. Termino dizendo que até podia ter ido mais além em algumas das conversas entre os protagonistas pois o tempo passou a voar. Filmes Filmes 2023 caso amorosofamíliaNuno Reis