La Vita è Bella (1997) Nuno Reis, 24 de Abril de 201015 de Outubro de 2025 Raros são os anos em que a Academia Americana reconhece haver filmes de qualidade noutra língua e os nomea em categorias menos marginais que documentário, curta-metragem ou a inevitável de filme em língua não-inglesa. Se houve um ano excepcional para isso foi 1999 em que “Central do Brasil” nomeou Fernanda Montenegro e um filme italiano foi nomeado um total de sete vezes, incluindo melhor filme, realizador, argumento e actor, a que se juntaram edição e música. Claro que ambos competiam ainda na secção de língua não-inglesa. O arrasador candidato italiano era “La Vita É Bella” e saiu com três troféus dessa cerimónia para juntar aos imensos prémios conseguidos por toda a Europa (Cannes, BAFTA, César, Goya,…) por vários anos. Guido é alegre e criativo. A caminho do tio para começar a trabalhar como empregado do restaurante, conhece Dora, uma maravilhosa mulher que lhe cai do céu. Após uma longa corte onde utilizará toda a imaginação e a sorte lhe é extremamente favorável, casam, têm um filho e são felizes para sempre. Só que o sempre é relativo. Com a chegada dos fascistas ao poder todos os judeus como Guido, o filho e o tio são levados para um campo de concentração. Cumprindo os deveres de pai como poucos conseguiriam transformará o maior pesadelo da Humanidade numa brincadeira de crianças para manter o filho animado. Reutiliza a imaginação e a sorte e mais uma vez é abençoado, pois entre os funcionários do campo está o doutor Lessing, seu velho conhecido e amante de adivinhas que se esforçará por lhe conseguir um tratamento especial. É um filme extremamente cruel por nos amolecer o coração para depois o agredir. Mostra o impacto de acontecimentos globais em pessoas reais e mostra o poder do indivíduo nos que o rodeiam. Roberto Benigni marcou aqui o seu lugar no cinema com um argumento mágico, uma interpretação inesquecível e um humor sempre no tempo e magnificamente expressado nos gestos e nas palavras. Consegue fazer rir com gosto nas mais variadas situações. Pode-lhe faltar plausibilidade, mas a magia do cinema é que não tem de ser real desde que não o pretenda ser. É um daqueles casos em que o cinema só é suposto ser magia e fantasia. Um homem pode fazer a diferença. A vida é bela, desde que olhemos da forma correcta. O final é americanizado, mas nem isso consegue estragar um filme perfeito. Filmes Filmes 1990's Colheita SeleccionadaNuno Reis
Um dos filmes marcantes dos anos 90, muito poderoso, embora sendo pouco plausível, como mencionas. Responder
O filme da vida de Benigni e certamente um dos filmes da nossa vida também! Emocionante do 1º ao ultimo minuto apesar de como já disse o Tiago Ramos nem sempre ser muito plausível… mas a magia do cinema é mesmo essa! Cumprimentos Responder