Lurker Nuno Reis, 18 de Dezembro de 202514 de Janeiro de 2026 Quando leio sobre um comum mortal que acede ao círculo íntimo de um artista musical, penso imediatamente em Picking Up the Pieces (2000)ⓘ×Picking Up the Pieces2000★ 1.0/10Uma pequena aldeia do Novo México descobre uma mão decepada que é considerada um milagre de Deus. Na verdade pertence a uma mulher assassinada, e o marido está à procura dela.View full page →Our Articles7 de Junho de 2011Review★☆☆☆☆ 1.0Picking Up the Pieces (2000). Um jovem fã que tem a oportunidade de uma vida ao viajar com a banda para os entrevistar e vai descobrindo a parte menos bela dessa vida de excessos e da fama. Aqui temos algo muito semelhante. Matthew tinha a sua vida normal na loja de roupa. Até que Oliver, a estrela musical em ascensão do momento, lhe entra na loja. Enquanto todos entram em modo fã histérico, Matthew é inteligente. Simplesmente põe a tocar uma música. Não uma de Oliver, uma ao gosto de Oliver. O músico vai falar com ele e Matthew faz de conta que não sabe quem ele é. Apenas calhou terem o mesmo gosto musical. Está aberta a porta para visitar Oliver, para começar a fazer umas fotos, para dar palpites sobre o videoclip… até que está a fazer um documentário. E está disposto a esmagar qualquer um que se meta entre ele e a fama. Matthew tem um choque ao entrar nesse mundo. Faz-se de pateta. Mas sabemos pelo truque na loja que esconde algo mais. E as pequenas sabotagens vão começando a escalar. É que na era das redes sociais, ser tagado com alguém famoso equivale a ser famoso. Ganha seguidores. Começa a ser reconhecido na rua “o Matthew que está perto do Oliver”. A sua vida parece ter mudado do dia para a noite. E esse importante retrato da sociedade é incrível. Temos aqui um pequeno génio do mal que usa o seu talento para se afirmar num circuito fechado e provar que é fundamental. Que a sua visão é a única na entourage não conspurcada pela fama. Só a sua opinião pode manter Oliver no rumo certo para o estrelato. Visualmente é um filme simples. Com bons planos próximos para tentarmos entrar na mente de cada personagem. Só que entre videoclips e documentário temos um cruzamento interessante de câmaras e estilos que contribuem para grande parte da história. Esses detalhes pesam. E as músicas vão mudando. Revelando também o impacto subliminar que Matthew tem na inspiração do artista. Não reconhecia os protagonistas desta longa. Apesasr do aspecto jovem Théodore Pellerin (Matthew) já tem uma longa carreira e aqui consegue dar um toque muito único à sua personagem. Tanto é o banana como o manipulador mestre e isso transparece nas suas expressões e olhares. Já Archie Madekwe é outra história. O seu trabalho em não passou despercebido, só cresceu num instante. Há dois anos era um miúdo jogador perdido no mundo real das corridas, agora é um músico que subitamente ficou famoso e não sabe como lidar com isso. Tão parecidos, mas tão diferentes. E pelo que os créditos dizem, foi mesmo ele a interpretar as canções. É só o início de uma carreira brilhante. Não é preciso ser um especialista no mundo da música ou perceber da arte (eu não sou nada musical e cheguei lá) pois é-nos dada informação suficiente. Esse conhecimento facilita na navegação entre documentários, clips, concertos, tournées, composição… Porque se esta trama funciona bem em qualquer nicho artístico, o da música tem outra mística. É algo que está em todo o lado, uma forma de arte a que se acede de graça, e que manipula em muito o estado de espírito dos seguidores. Além de passar mensagens subliminares e ser onde mais depressa um ninguém se torna alguém. É um filme para quem pensa na fama e como lá chegar. Para a pessoa já lá está e duvida das intenções de quem a rodeia. Que explica porque é um círculo que parece fechado, mas de onde é fácil entrar e sair. É um filme que impacta musicalmente e, ainda que cometa alguns excessos, vai deixar a sua mensagem no espectador. Filmes Filmes 2025 FamaInternetMúsicaNuno Reis