Marked Men: Rule + Shaw Nuno Reis, 6 de Agosto de 202511 de Janeiro de 2026 A família Cassavetes tem-nos dado bons filmes. Sempre que sai um novo de Nick, a necessidade de ir é forte. Com este “Marked Men” o apelo não era enorme, mas porque não? Não é como se houvesse muitas alternativas. Tudo começa no salão de tatuagens Marked, onde um grupo de artistas, cada um com o seu próprio estilo, pinta a pele dos clientes. Um desses tatuadores é Rule, lendário artista e playboy. Parece desinteressado de tudo e pouco depois sabemos porquê: há uns anos perdeu o seu irmão gémeo, o que destroçou a família. Uma das poucas ligações a essa vida existe na pessoa de Shaw, a namorada do irmão. Ela faz um esforço para continuar na vida deles, mas também ela esconde um segredo. Que está apaixonada por Rule. O filme opera em três camadas. A mais óbvia seria a Arte. Das complexas tatuagens até enormes murais, e com um sermão sobre o porquê. Mas parece ter ficado em segundo plano. É um tema só tocado levemente e sem detalhes, como que um segredo entre os envolvidos ou “para bom entendedor, meia palavra basta”. A segunda é Família. Shaw que não se liga à própria e não se revê no que a mãe deseja para ela. Quanto os Archer sofrem. Pelo meio tem várias nuances, como o sentimento de proteção que eles nutrem pela sua pequena irmã “adoptiva”. É a componente mais forte na narrativa, ainda que por vezes seja apenas implícita. Finalmente, temos o Amor em várias vertentes. Amor jovem, amor maduro, amor fraterno, sexo sem compromissos. Casamentos combinados e violência doméstica. Perspectivas diametralmente opostas que se cruzam entre pessoas que se preocupam umas com as outras, mas aparentemente sem nada em comum. Era neste ponto que Cassavetes se devia ter destacado. O que se passa aqui é muito estranho. O poster não cativava. O trailer arruina a experiência. Mesmo em termos fotográficos, senti-me um estranho neste mundo. Como se o filme fosse para outro público. E a meio do visionamento tentei adoptar outra postura. Já não sou os jovens de vinte anos a quem o filme se destina, ainda posso ser o irmão mais velho que os protege. Mas não era isso. Alexander Ludwig como Rule não é incrível, mas faz o que era preciso. Sydney Taylor como a pálida protagonista parece sempre estar longe da zona de conforto. Mesmo dando algum benefício pela complexidade da personagem e dilemas que atravessa, não convence, não inspira os sentimentos de adoração e proteção que os outros à volta dela sentem. Tem alguns conflitos que podiam ser fáceis para impressionar, mas nada. Apesar do ar jovem se adequar, como actriz principal não foi nada boa escolha. O elenco secundário, é ainda pior. Natalie Alyn Lind, nem a reconheci nem me lembro da personagem. Chase Stokes marca presença física sem qualquer profundidade. Ella Balinska dá tudo, mas a personagem que lhe foi atribuída é muito banal. Os outros, não sei se 24 horas depois me lembro que aqui entraram. Talvez para quem tenha lido o livro seja uma experiência diferente, mas uma adaptação tem de agradar aos fãs e capturar novos leitores. Duvido que alguém da equipa tenha sido quer leitor quer captado. Filmes Filmes 2025 Adaptação literáriaIrmãosNuno Reissegredotrauma