Mickey 17 Nuno Reis, 20 de Março de 202511 de Janeiro de 2026 Depois de ter dado provas no terror com perfil para blockbuster em “The Host”, depois da distopia em “Snowpiercer” e da crítica social em “Parasite” – que até valeu um impossível Oscar de melhor filme para algo não falado em inglês – Bong Joon Ho já não teria nada a provar. No entanto, ao ver um rascunho da obra “Mickey7”, decidiu fazer um filme. Para isso reuniu um elenco de luxo com o seu colaborador habitual Steven Yeun e os enormes Mark Ruffalo, Toni Colette liderados por Robert Pattinson num nove registo. A história acompanha dois pequenos criminosos que são forçados a fugir da Terra. Enquanto Timo consegue um bom emprego como piloto, Mickey só consegue lugar como “dispensável”. O trabalho dele é cumprir as tarefas perigosas como exploração, limpeza do exterior da nave, ou cobaia médica. Se morrer, é recriado com base no perfil genético e nas memórias arquivadas em backups regulares. Até que um dia acontece algo diferente. A décima sétima edição de Mickey sobrevive a uma morte certa. No regresso vai ter uma perspectiva diferente da vida, e da sociedade em que está. Vai perceber que pode fazer a diferença naquele planeta. É um filme com uma forte mensagem social. Sobre o valor da vida, os princípios éticos da clonagem, mas também alguns dos velhos problemas da humanidade como os agiotas que partem pernas. E alguns dos recentes como a personagem de Ruffalo que é uma imitação pouco abonatória de Trump e um líder indiferente às vidas que devia proteger. A maioria dos tripulantes são os seus seguidores fanáticos, pelo que a vida é complicada para quem pensa. É por isso que Mickey tem tantos problemas. Portanto, esta ficção-científica está mais próxima do que se pensa do nosso presente. A execução do filme fica um pouco caótica por fugir às regras. O nosso herói não é muito heróico e está sempre perdido sobre a sua missão e o seu lugar. O vilão não é o que se pensa. E a longa duração faz com que o espectador divague pelas tramas secundárias. É um filme com muitas mensagens e que as passa de forma eficaz. O humor está muito bem escrito (é como tentam vender a obra) e tem personagens muito interessantes por todo o lado. Toda a parte científica é credível. As partes em isolado são de todo, mas como uma obra completa falha redondamente. É fácil de esquecer. Pelo menos deixa em aberto a opção de um dia a humanidade um dia aprender com os seus erros. Filmes Filmes 2025 Adaptação literáriaClonagemexploração espacialNuno Reis