Mighty Aphrodite (1995) Nuno Reis, 1 de Junho de 20112 de Dezembro de 2025 Linda Ash: You didn’t want a blowjob so the least I could do is get you a tie. Há quem faça cinema eficaz e há quem prime pela diferença. Estamos provavelmente perante o caso mais ambíguo que se poderia imaginar. Misturando o talento para a escrita cinematográfica, com o conhecimento de literatura clássica, em “Mighty Aphrodite” temos uma combinação explosiva de cinema para público mainstream com um piscar de olho aos intelectuais. A primeira impressão de quem entra para o filme é de ter sido enganado. Mas um filme com uma deusa grega no título e que é aberto por um coro grego num anfiteatro grego, não tem de ser obrigatoriamente grego. Pode ser apenas criativo. A história passa-se na actualidade. Amanda e Lenny adoptam uma criança e vivem felizes por muito tempo, até que o pai se começa a interrogar sobre quem seria capaz de gerar e abandonar uma criança tão inteligente. Iria algum dia o filho perguntar-se o mesmo? Com algumas perguntas e cuscuvilhices Lenny consegue chegar a um nome e depois a uma pessoa: Linda. Lenny e Linda são muito diferentes, mas interessado em que o filho se possa orgulhar da mãe biológica, vai fazer os possíveis por a tornar numa mulher de respeito. Só que até lá também Linda vai mudar Lenny (ideia reutilizada em “Whatever Works“). O tema da adopção nunca é fácil de tratar, a não ser que sejamos Woody Allen. É incrível como qualquer tema que lhe caia nas mãos consegue ser tratado com respeito e humor. Estamos perante uma comédia – excelente por sinal – que tem importantes divagações sobre a adopção e a educação. Terminando o filme as ideias ficam implantadas. A tragédia grega ajuda a cortar um humor que caminhava para o exagero. De forma a respeitar o tema em questão foi usado este golpe de génio que parece sério. Só que enquanto relatam os acontecimentos e distribuem filosofias de vida, também falam de advogados e Cincinnati. É apenas outro tipo de humor e um espectador que consiga apreciar passará mais tempo divertido e maravilhado. Se nenhum dos argumentos acima bastou para os convencer há Mira Sorvino e não é preciso mais nada pois desarma qualquer um. Ela é o filme. A personagem tem uma mistura improvável mas cativante de experiência, burrice, simpatia e honestidade. É muito directa, por vezes ordinária, mas sempre ela mesma. É certo que Sorvino não tem mais nenhum papel em toda a carreira que sirva de cartão de visita ou que prenunciasse algo assim, mas o Oscar que arrebatou como Afrodite não surpreende porque ninguém lhe chegava aos calcanhares. A expressão “o papel de uma vida” nunca fez mais sentido. Filmes Filmes 1990's adopçãoNuno ReisSexo
Mira Sorvino… nem mais. Do tempo em que cultivava um "lust" de tal forma que via muita coisa dela. E neste ela carrega todo o filme com intensa luz… Responder