Mission: Impossible – The Final Reckoning Nuno Reis, 28 de Junho de 202511 de Janeiro de 2026 Foram precisos trinta anos, mas finalmente acabou! Cresci a ver a série. Muitas tardes em suspense, desde aquele fósforo a arder, até ao twist final. Sempre sem saber se conseguiriam fazer a missão ou se seriam capturados e o governo negaria conhecimento das suas ações. Peter Phelps era obrigatório, mas Martin Landau, Greg Morris e Peter Lupus estavam sempre lá. E eu preferia que Lesley Ann Warren também estivesse. Pelos vistos foram centenas de episódios devorados sem queixas (ainda que alguns fossem uma seca). O mesmo não pode ser dito dos filmes. O primeiro era um bom filme. O segundo era bom entretenimento. A partir daí? Foi sempre a descer. A que ponto? Ao ponto que achei bom rever os filmes mais recentes antes deste e só ao fim de hora e meia percebi que já tinha visto o sexto. No cinema! É a esse ponto que eles já parecem todos iguais. Nesta última aventura há um enorme problema. Quer por um lado celebrar os 30 anos, e por outro, garantir-nos que é o último. Por isso, tal como tantos outros filmes antes, acha adequado encher-nos de flashbacks de coisas que se passaram há muitos anos. Nem precisavamos de rever tantas cenas inúteis, nem acreditamos que seja o último por isso vai ser embaraçoso quando vier o seguinte. Mas ignoremos esse detalhe irritante, e avancemos para um muito mais grave. O vilão é um regresso esperado. Uma super inteligência artificial (tema da moda) ameaça destruir o mundo de várias formas e apenas uma equipa o poderá impedir… Só que desta vez são procurados pelo próprio governo depois de uns precalços ao longo do caminho. E não é só a IA que quer levar o seu plano avante. Vários outros intervenientes com intenções dúbias estão em acção para a dominar e ao mundo. Não falta intriga. Mas faltam duas coisas. Uma delas é que faltaram consultores técnicos. Com tanto importância para a informática neste tema, podiam ter pago um milhão a alguém que lhes dissesse que estavam a falar de coisas impossíveis na parte errada do argumento. Tão mau que nem se pode aproveitar o menos mau do filme. O que também falta em demasia é originalidade. Praticamente tudo o que se classificaria como ação já foi usado pelo que não é original. Tal como aconteceu nos Fast and Furious, quando se desafia os limites do possível a cada filme feito, chega um ponto em que ou se é ridículo, ou se é repetitivo. Ou ambos ao mesmo tempo. Sim, é bom rever alguns rostos que apareceram há 30 anos, outros do filme anterior e outros que se repetem a cada episódio. Mesmo alguns novos são uma agradável surpresa. Mas o motivo para isso não convence nada. Os extremos físicos a que Ethan se atira num desejo suicida há muito que deixaram de fazer sentido. Aqui em dose tripla são ainda mais incómodos e, francamente, a missão das pessoas ditas normais – sem Hunt – davam um filme muito melhor. E o simples facto de nesta parte final ter sido criada uma nova equipa, dá-me esperanças que possamos ter filmes sem a crise de meia idade de Tom Cruise que o faz tentar voar sem asas em cada filme e demais atividades pouco adequadas à idade. Estou curioso se teremos essa sorte. Filmes Filmes 2025 agente secretoInteligência ArtificialMissão ImpossívelNuno Reis