Muzzle: City of Wolves Nuno Reis, 4 de Dezembro de 20253 de Dezembro de 2025 “Muzzle” foi um filme discreto e do qual se não se voltasse a falar, não viria mal ao mundo. Era sobre um polícia que perde o parceiro canino e tem de derrubar todo o submundo do crime para se vingar em condições. Uma ideia que já vimos à exaustão no universo John Wick. O realizador John Stalberg Jr. tem feito alguns filmes pouco conhecidos com estrelas de algum nome. Por algum motivo, de todos os que podia tentar espremer por mais uns trocos, optou por este. Jake está de volta com um novo cão e uma nova missão. Jake deixou para trás a vida de polícia e agora dedica-se a cem por cento à esposa Mia e ao bebé. Contudo, o seu trabalho ainda tem uma pequena ligação ao passado. Ele treina cães para a polícia. Um dia, a sua paz familiar é perturbada por alguém que não gosta nada dele. Ou elimina esse poderoso inimigo, ou não voltará a ter sossego. O filme tem um início logo disruptivo. Estamos perante um vilão fora do comum e muito perturbado. A sua obsessão por Jake é doentia e tem os recursos humanos e materiais para o perseguir. Em cada esquina um novo inimigo, uma maior traição. Poucos polícias acreditam em Jake e os que acreditam foram comprados pelo inimigo. E por isso entra numa sucessão de cenas de acção pouco credíveis, pouco originais, e onde a vida humana nada significa. O rosto empedernido de Aaron Eckhart mostra que está focado, mas não transmite emoção. Apesar de toda a bagagem emocional – e traumática – vai partir numa série de peripécias á Dirty Harry que fatigam qualquer espectador. O canídeo tem as melhores cenas, e a sua hesitação (parece ser a única personagem com medo nesta história) permite algum alívio cómico em cenas que não conseguem ser levadas a sério. Mas não se compara a um Rex. Como oponente, um sólido Karl Thaning cumpre o seu dever. Tem emoção no rosto, tem discursos bem construídos e bom timing. O argumento não é seu amigo, mas tem tempo de tela que chegue para fazer um reel decente. No geral o filme é demasiado longo, demasiado cheio de si mesmo, e demasiado escuro para se disfrutar. A exposição de Jake como um criminoso em fuga dá algum fôlego à narrativa. Entra num thriller mais leve e fácil de seguir. Abrandam os tiros e explosões. Por vezes surge uma personagem que podia ter melhorado aquilo e até temos uns minutos em que a trama começa a ganhar rumo, mas não dura. O final secante em que tudo pode ir pelos ares demora a chegar, mas nem assim o filme sabe ir embora em condições. É bom que não façam mais nenhum. Nenhum cão merece passar por isto novamente. Filmes Filmes 2025 bombaCãofamíliaMuzzleNuno ReisPolíciaTraição