Night of the Reaper Nuno Reis, 22 de Setembro de 202515 de Novembro de 2025 O terror é um género muito ambíguo. Tão depressa é o terreno fértil de onde saem bons filmes sem grandes orçamentos, como onde um enorme orçamento não impede que se cometam os erros de sempre. O slasher é o sub-género em que isso mais se sente. É muito difícil fazer um assassino em série com novas motivações. É difícil causar mortes de froma nunca antes vistas. E uma final girl que não seja igual a todas as outras? Ainda está para ser criada. “Night of the Reaper” podia ser mais uma entrada na longa lista de filmes que repetem a fórmula. Mas havia algo no título. Um toque clássico que faz acreditar que não vai seguir a mesmo fórmula. Talvez tente dar um toque seu. A história começa com a babysitter Emily a tomar conta de duas pestinhas. Depois de as pôr na cama, é só aguentar as partidas que lhe pregam até o turno acabar. Mas talvez as crianças sejam inocentes e haja alguém mais a brincar com ela… Meses depois, Deena volta da universidade. Ela queria descansar, mas Haddie precisa mesmo que alguém a substitua como babysitter em casa do xerife. Deena sabe que ser babysitter não é o emprego mais seguro da vila, mas a casa do xerife deve ser o melhor lugar para se estar. Talvez esteja enganada. O que impressiona logo no arranque, é que o elenco é competente. Temos muitas personagem estereotipadas, mas são convincentes. Isso aplica-se a crianças, adolescentes e adultos. Só Matty Finochio como o assistente do xerife não me convenceu. O foco claro que começa com a primeira babysitter, Summer H. Howell que apesar da idade já é veterana no terror. Se o filme fosse só sobre ela estavamos bem servidos. Depois chega Jessica Clement que, além de actriz com enorme variedade no portfolio, também realiza curtas de terror. Vai ser a final girl em destaque e consegue conquistar o espectador aos poucos. Só faltava originalidade ao filme, mas isso também se resolve com um belo truque. O segredo foi enganar o espectador de forma óbvia. Vão-nos dando pistas de diversos tipos. Referem coisas que não estão em contexto. Focam detalhes que não são precisos. Sabemos que na sua maioria são pistas falsas, mas isso torna o filme num mistério original disfarçado de slasher previsível. Algo que já sabemos vai ser útil para decifrar o mistério. Em vez de ficarmos a ver e a dizer “não abras essa porta!”, podemos dizer “usa os óculos térmicos para ver se está alguém atrás da porta!”. Este exemplo não se aplica, mas não posso dar demasiados detalhes. É um filme que se vai vendo sem grande interesse enquanto constrói a falsa narativa. Ganha interesse quando descobrimos uma coisa. E depois temos algumas surpresas até ao final. Daqueles que até se veria segunda vez para esclarecer detalhes, mas que não tem nenhum defeito óbvio. 2025 está a ser um ano bom para os argumentos novos no terror. Filmes Filmes 2025 babysittingNuno Reisplano inteligenteVingança