Nobody Nuno Reis, 30 de Maio de 20212 de Dezembro de 2025 Alguns filmes vindos do nada conseguem surprender. Foi o caso deste “Nobody” que, apenas apoiado na notiriedade do elenco, conseguiu tornar um vulgar drama de família num épico filme de acção. Hutch Mansell é um pai de família. A sua vida é monótona. O emprego é monótono. Já pouco fala com a esposa. Não há mais nada a dizer sobre ele. Até que um dia lhe assaltam a casa. Hutch não reage e deixa-os levarem o dinheiro. Fica mal visto aos olhos do filho adolescente e a filha aproveita a ocasião para pedir um gato. Quando ele percebe que os ladrões levaram a pulseira da pequena, algo em Hutch desperta. Ele vai encontrá-los e recuperar a pulseira. O único problema é que na viagem de regresso se cruza com uns delinquentes. O que ia ser uma “simples” missão de recuperação, começa a escalar. E vai atingir uma dimensão que ninguém imaginava. É difícil escolher por onde começar a falar deste filme. A banalidade da vida familiar está muito bem apresentada. O gatilho foi bem pensado (foi um assalto semelhante ao lar Odenkirk na vida real que inspirou o filme). Lentamente a violência começa a ganhar peso. Hutch está destreinado no combate corpo-a-corpo, mas aos poucos começa a recordar. E quanto melhor ele fica, mais poderoso é o oponente. O cinema de acção actual já nos insensibilizou para a violência, o sangue e as mortes. “Noboby” sabe disso pelo que utiliza artifícios. Introduz novas personagens, novas localizações, novas armas. Manipula o suspense com mestria. E depois, despeja-nos num cenário digno de “Home Alone” em que o planeamento pode fazer toda a diferença para um dos lados. O ponto forte do filme é o elenco. Aviso já que desperdiça completamente Connie Nieslen e Michael Ironside. Mas sabe utilizar o carisma de Bob Odenkirk para lá do que estamos acostumados e faz uma excelente recuperação de Christopher Lloyd que andava desaparecido, mas ainda tem muito a dar ao cinema. Também inclui RZA num papel genérico Nos pontos contras, tem um vilão completamente típico com motivação ainda mais típica. E obviamente entra em excessos na violência. Mas como a combina com muito humor e uma bela escolha de banda sonora, não dá para reclamar. É absurdo e não tem vergonha de o admitir. Além disso é curto, pelo que não cansa tanto como aqueles que acreditam que a pancadaria deve ser a estrela do filme e quanto mais longo melhor. Foi uma agradável surpresa. Filmes Filmes 2021 famíliaNuno Reispassado secretoVida secretaVingança