One to One: John & Yoko Nuno Reis, 19 de Fevereiro de 202619 de Fevereiro de 2026 One on One foi o único concerto dado por John Lennon na sua carreira a solo. Era portanto um dos poucos títulos disponíveis para falar da vida de John e de Yoko no pós-Beatles. Tudo começa em 1971 quando se decidem mudar para Nova Iorque. Yoko queria viver nos EUA pois procurava a sua filha desaparecida. John queria estar com ela. E calhou estarem no centro do mundo durante os anos Nixon, a Guerra do Vietname, algumas das maiores manifestações por direitos humanos do século. Não vão falar da cidade – que viveria o seu período mais conturbado do século na segunda metade da década – apenas das pessoas e das correntes. Ultimamente os documentários por onde passo os olhos fazem uma coisa importante: informam quem pouco sabe sobre o tema e agradam a quem já sabe muito. Aqui a sensação foi contrária. é um realizador que não se decide entre fazer biografias, videoclips ou ficção. Foi uma escolha lógica para este filme, mas é um homem muito culto e, apesar de escocês, sabe a história americana. Portanto focou-se em fazer um filme para quem conhecia o homem e a História. Tem um enorme foco em dois anos que mudaram o mundo e o papel do duo nesses eventos, mas não se preocupa em dar o contexto. Quem vai ver tem de saber. Portanto não basta saber quem é John Sinclair e o que se passou em Attica. É preciso saber quem foi George Wallace. É preciso saber tanto sobre Bob Dylan como sobre Allen Ginsburg. Alguns nomes provavelmente desconhecidos surgem em conversas telefónicas, mas são detalhes. Era preciso alguém para ouvir o que ia na mente das estrelas, e as gravações eram a melhor forma de o mostrar. Em termos de edição é um filme maravilhoso. Corta um concerto sublime para inserir dezoito meses das suas vidas pessoais pelo meio. Foca-se no pretexto de gostarem muito de ver televisão para nos bombardear com filmes, anúncios, séries e blocos noticiosos que davam o enquadramento histórico. Tem como grande problema que “Come Together” é logo no início e tudo o que se segue soa a pouco. Apenas uma hora depois “Imagine” a supera e, quando esta chega, o filme devia ter acabado. Mas a história tinha mais por onde andar. Como o país que o quer deportar por não ser bem-vindo ao mesmo tempo que pede perdão a Chaplin por lhe ter feito o mesmo vinte anos antes. O material inédito foi disponibilizado por Sean Lennon pelo que terá tido algum controlo sobre o que seria dito. A imagem que passa de John é que está numa nova fase, muito activo civicamente, e continua a ser um grande compositor. A imagem de Yoko é menos abonatória. Não lhe mostram grandes dotes artísticos (só me recordo de uma canção e uma instalação artística) e parece sempre ressentida com o mundo. Mas ao menos explica porquê e até tem razão. A geração que cresceu com os Beatles precisava de um bode expiatório e nunca lhe perdoou. Os que agora virem o filme verão que podem ter sido dois eventos isolados. Quanto ao final, era o mais feliz que se podia pedir. Filmes Filmes 2025 BiografiaNuno Reis