Opus Nuno Reis, 14 de Setembro de 202526 de Dezembro de 2025 Para uma boa parte dos nossos leitores, se eu disser que a protagonista de um filme com John Malkovich e Juliette Lewis é Ayo Edebiri, pode causar alguma confusão. “Quem?” Edebiri é uma das novas faces do entretenimento americano. Em 2024 foi muito premiada pela série “The Bear”, esteve por alguns episódios na série “Dickinson”, e nos últimos dois anos acumulou nomeações de talento emergente além de ter ganho um Emmy. Em 2025 já tem currículo suficiente para segurar um filme sozinha, mesmo contra pesos pesados destes. Neste drama de Mark Anthony Green – a sua estreia nas longas – vamos conhecer a estrela pop Alfred Moretti. Desaparecido há quase trinta anos da ribalta, ele ainda tem um culto de seguidores. Quando anuncia um novo álbum, o mundo delira. Também Ariel, uma jovem colaboradora de uma revista de música, fica surpreendida por ter sido sequer considerada para o evento exclusivo de lançamento. Mas lá vai ela, prestes a realizar o sonho de uma geração mais velha, consciente que pode ser uma grande oportunidade para se lançar. Está num grupo de sete pessoas onde além dela estão cinco veteranos da indústria e uma influenciadora. Vão passar uns dias na residência Moretti, um retiro longe de tudo onde habita uma comunidade de pessoas extremamente felizes. Mas Ariel desconfia. Como jornalista percebe o fenómeno de culto, e tem as referências musicais, mas não é uma fanática. Consegue manter a imparcialidade e desconfiar do que se está a passar. Estarão numa seita? O filme começa de forma demasiado artística. Teria optado por mudar aquela introdução para algo mais pujante. Depressa entra no drama convencional e Edebiri prova que consegue fazer um filme sozinha, tantos são os detalhes que vai despejando numa personagem cativante. Malkovich, sempre um camaleão capaz de nos surpreender, continua a ser ele mesmo e cantou todas as músicas como se tivesse sido uma estrela pop toda a vida. Cria bem a aura de estrela que assume que todo o mundo gira em sua volta, ao mesmo tempo que é apenas um homem a tentar ter conversas normais. Tem momentos nostálgicos com quem o conhece de outra vida, e algumas dificuldades a ligar-se à nova geração, mas impera quando necessário. E o ego está no topo, como gostamos. As restantes personagens, pouco contam para isto. Algumas são elementos de confusão, outras de intriga. Todas são pistas que vamos juntando para um final imponente. “Opus” tinha um caminho claro entre géneros e percorre-o sem dificuldades. Compõe músicas fictícias que se percebe porque teriam sido grandes no passado, e outras que parecem flops à espera de serem lançadas. A naturalidade com que o terror se infiltra é um bom detalhe. No fundo não impressiona tanto como se gostaria. Nos últimos anos tivemos seitas e elementos perturbadores suficientes para isto, aqui e agora, não ter o efeito máximo. Mas deixa algumas memórias perturbadoras para nos atormentar ocasionalmente por alguns meses. Filmes Filmes 2025 celebridadesFamaMOTELx 2025MúsicaNuno Reis