Pinocchio (2022) Nuno Reis, 19 de Setembro de 202214 de Agosto de 2025 No meio de tantas adaptações Disney, uma das mais inesperadas foi Pinóquio, em especial por chegar ao mesmo tem que a versão de Del Toro. É importante recordar que também para A Bela e o Monstro os planos de ambos foram muito próximos no tempo. Não seria um filme com muito para dar, mas saber que estava nas mãos de Zemeckis dá logo autoridade. Era um filme que necessidade de muita animação e este realizador gosta de se aventurar nesse meio. Ainda por cima trazia consigo o colaborador habitual Tom Hanks. Toda a gente conhece a história de Pinóquio, o boneco de madeira que quer ser um rapaz de verdade e cujo nariz cresce a cada mentira. É daqueles casos em que li o livro depois do filme (ainda bem, pois o filme é para crianças e o livro nem tanto) e fiquei a apreciar mais o livro, apesar de reconhecer valor ao livro por me ter ajudado a visualizar todos aqueles elementos mágicos. Em especial a vilania dos vários obstáculos no caminho do nosso anti-herói. Quanto à animação, é simpática, mas um pouco datada. O filme em imagem real é exactamente o que se esperava. Muita imagem real com elementos de animação bem inseridos. Fiel ao original em tudo o que pode – ainda que se aproxime mais do livro – e, no entanto, consegue fazer algumas coisas diferentes. Dar um toque pessoal à velha história. Já sabia que íamos ter um Tom Hanks convincente. É estranho vê-lo como o velho Gepetto, mas a idade chega a todos nós. Também foi bom ver Figaro e Cleo transportados para o filme. Os companheiros do artesão eram a parte agradável do filme animado e sem eles seria uma desilusão. Mas claro, o foco está no Grilo Falante. Com voz de Joseph Gordon-Levitt (não identificável), continua a ser o narrador da aventura e por vezes a consciência que Pinóquio precisa, mas é-lhe dado um papel mais secundário, . O rapaz aqui tem mais espaço para pensar e tomar sozinho as decisões, sejam elas boas ou más. Já os vilões, tiveram o tempo necessário de tela. Aparecem. Desencaminham. Tiram a esperança. E depois saem de cena para que Pinóquio tenha espaço para aprender e crescer. Foi uma surpresa o menor destaque das músicas, mas até foi agradável. Normalmente colocam músicas em tudo, e neste caso seria desnecessário. Já é uma história com muito elementos sonoros e visuais e, de facto, só precisavamos de uma grande “When You Wish Upon a Star” (que tivemos). Tudo o resto seria supérfluo. Uma nota final ainda para a enorme variedade de relógios exibidos, quase todos com uma referência a outros produtos Disney. Não é colocação forçada de produto. É uma pequena graça. Não é um filme memorável, mas cumpre exactamente o que era preciso – reinventar sem desrespeitar – e dá uma nova vida e nova apreciação ao clássico. Filmes Filmes 2022 Nuno Reis