Plainclothes Nuno Reis, 20 de Fevereiro de 202619 de Fevereiro de 2026 Enquanto se discute se o Cinema está a morrer ou apenas a definhar, e como as plataformas de streaming estão a mudar não só a indústria e os hábitos de consumo, mas também o tipo de conteúdo produzido,que tal pararmos para ver o lado positivo. Com a descentralização da exibição, muitos mais filmes estão a ser feitos e lançados, com esperança de chegarem a um público maior do que o habitual. Temos oportunidades de ver cinematografias desconhecidas e experimentar géneros aos quais se torcia o nariz. Podemos definir o nosso gosto, sem depender do que estreia em sala e do que as televisões escolhem exibir. E realizadores conseguem fazer primeiras obras com retorno mais rápido. “Plainclothes” é muitas coisas ao mesmo tempo. É a primeira longa de . É sobre homossexualidade. E tem lugar num passado recente. Quando o exército “não perguntava” mas descriminava e as pessoas andavam de pager no bolso. Os anos 90. Esta história revolve em torno de Lucas (, o jovem Snow de ), um polícia que opera à paisana numa tipo de missão muito específico. Ele é o isco para gays se exporem em casas de banho públicas e irem presos. Tudo corre bem até que ele se cruza com um homem diferente. Lucas sente-se mesmo atraído e não o quer enganar. Quer ver até onde irá. Do outro lado está Andrew (), mais experiente nessa vida secreta, mas também ele incapaz de controlar os impulsos. Aqui a operação policial não envolve grandes perseguições ou tiros. Apenas a ratoeira na casa de banho. É um filme que aparenta ser mais calmo do que o habitual. Mas a tensão é muito forte. Num bom equilíbrio entre trabalho, família, ex-namorada e estes novos sentimentos, vamso mergulhar na mente de um homem que não sabe o que é e o que sente. Que fica quase paranoico com a possibilidade de ser descoberto por alguém, mas não resiste a correr alguns riscos. Isto foi na era da SIDA imparável e de imensa discriminação e medo. Ainda que ao início haja uma cena no balneário da polícia em que parece que a temática da homossexualidade vai ser dominante, isso é passageiro. Vai estar nas doses certas e o foco vai ser principalmente na questão de identidade e do segredo. E em fazer parte do grupo profissional que oprime aquilo que se é. Em termos de fotografia e banda sonora foi um filme surpreendente para primeira obra. A montagem foi ousada, misturando cenas anacrónicas como se estivessemos na mente a mil do protagonista em que todos os temas pedem atenção. É um filme poderoso que certamente se discutirá à saída da sala. Tem dois grandes actores que fazem mais com o olhar do que com as palavras. E tem um pequeno segredo espaçado ao longo de todo o filme para manter o suspense. Mesmo bem feito. Talvez não seja para rever brevemente, mas deve ser visto. Filmes Filmes 2026 LGBTQNuno ReisPolíciasegredo