Proud Princess Nuno Reis, 28 de Fevereiro de 20261 de Março de 2026 Algumas histórias fazem parte da cultura de um povo. Quando a escritora Božena Němcová publicava os seus contos, não tinha ideia do que estava a criar. Ainda que a sua obra mais famosa seja “Babička” (A Avó) em 1855, uma década antes tinha publicado uma série de contos incluindo uma que poderia ser traduzida como “Orgulho Punido”. A sua vida não foi fácil e morreu na pobreza, mas hoje é a cara na nota de 500 coroas checas. Tudo porque com as suas histórias ajudou o Renascimento Nacional Checo, movimento cultural em que a cultura e a língua checas recuperaram após dois séculos de opressão pelo alemão. Em 1952 saiu um filme muito popular com base nessa mesma história e tornou-se também ele parte integral do património cultural checo (especialmente importante pois na altura era Checoslováquia). Tal como no original tudo começa quando um rei envia o seu retrato a uma princesa na esperança de ela estar interressada em casar. As aplicações de namoro na altura eram muito diferentes. Ela rejeita o pretendente dizendo que aquele rei não era digno de lhe apertar os sapatos. Chocado com a resposta, o rei Miroslav (Benjamin na tradução) vai-se infiltrar na corte para conhecer a princesa Krasomila (Carolina) e lhe dar uma lição de humildade. O conto original e o filme em imagem real não seriam populares com as crianças de hoje em dia, mas na adaptação para animação tentaram suavizar. Vão buscar vários elementos icónicos do enredo, acrescentam uns animais, garantem mais risos do que berros, e aqui temos uma nova visão para explorar. Prova do impacto do filme original é como os vizinhos se uniram para tornar isto em realidade. É uma produção conjunta com Eslováquia e Polónia. E o seu impacto será maior junto de quem conhece a história – muitas oportunidades para ser surpreendido pelas diferenças – e parecerá estranho a quem não tiver contacto com a animação de leste. A diferença mais óbvia é a princesa do título. Estamos acostumados a princesas perfeitas, independentes e lutadoras. Esta princesa nem parece boa pessoa. Ainda que seja apenas demasiado mimada e esteja triste, tem de ser Benjamim a iniciar essa transformação. Depois ela espera ser salva, raramente mexendo um dedo para ajudar. Já o príncipe é o herói habitual. Desafiador, destemido, criativo e alegre. Funciona principalmente por oposição aos imensos defeitos da arrogante princesa. Também o vilão é muito padronizado e todos as outras personagens são estereótipos sem profundidade emocional. Tudo isso é compensado pelos animais que começam de forma discreta, mas depressa se tornam protagonistas da história para quem estiver por volta dos 6 anos. Mais velhos e até cansam um pouco. Em termos de animação parece um pouco datado e nota-se por algumas cenas (em especial no moinho) que o storyboard queria fazer mais, mas a execução teve de ser simplificada. Não fará mal mostrar às crianças para diversificar conteúdos, mas não seria uma primeira opção. (foi vista a versão dobrada em inglês) Filmes Filmes 2024 casamentoConto de FadasjardinagemNuno ReisRealeza