Queens of the Dead Nuno Reis, 25 de Janeiro de 202631 de Janeiro de 2026 O nome Romero é sinónimo de zombie. Por muito que George Romero tenha feito vários outros filmes (até melhores) fora da temática, deixou uma marca no género. Facturou muito à custa disso, mas sabemos bem que foi um abuso e bem mais do que o necessário. Não se pode fazer as vontades todas aos fãs. A filha Tina provavelmente foi muito massacrada com a pergunta “quando fará um filme de zombies?” e decidiu responder à letra. Mas de tal forma que obriga os fanáticos a ver um filme queer. Dre tem um clube nocturno em Bushwick. Naquela que seria a sua grande noite, tudo corre mal. A estrela falta, os canos entopem, vários dançarinos desaparecem… A esposa Lizzy apesar de estar a trabalhar noutro lugar faz o que pode para ajudar. Manda o irmão republicano para desentupir a canalização e convence o colega Sam e ressuscitar Samoncé, a sua persona artística. Quando as coisas finalmente começam a parecer compostas e só lhes faltam clientes, vão agradecer terem a sala tão vazia pois os mortos vieram para festejar. A primeira longa de Tina Romero conseguiu reunir alguns nomes interessantes. Reconheci imediatamente Katy O’Brian, Riki Lindhome e Shaunette Renée Wilson. Demorei um pouco mais a identificar Jack Haven. O icónico Tom Savini tem um cameo como presidente da câmara. Mas tirando esses, é um filme de e para a comunidade queer que todos verão com gosto. O tema dos zombies estava muito esgotado e ainda que se tenha tentado sensualizar um pouco em produtos como “Zombies vs. Strippers”, não era a mesma coisa. Enquanto esse produto vinha de mentes que criam comédias parvas e acharam que zombies e sexo vendiam sem estarem envolvidos em nenhum deles. Este vem de pessoas do meio artístico, da filha do mestre dos zombies, e acaba por deixar as criaturas para segundo plano. Brinca um pouco que somos todos seguidores descerebrados dos nossos telemóveis, faz pouco dos falsos aliados, mas o foco é outro. A primeira morte chega depressa. Ainda que tenham feito suspense a mais, foi bom para dar o tom para o filme. Depois tem alguns momentos em que parece que se vai focar em temáticas de género e transição – como quando Jane explica que ainda não mudou o nome – mas a aceitação pelas personagens é imediata. Só mesmo Barry está alheio às normas e espremem um pouco de humor disso, mas sem exageros. Nomes e pronomes não interessam, só se sabem usar uma besta e apontar para a cabeça. Desenvolve uma história sobre pessoas numa situação má. Não recorre ao terror nem tenta ser um filme de terror. Fala das rivalidades entre humanos em pessoas que precisam de um lugar seguro e aprenderam a depender de si mesmas e a ajudar o próximo. Pessoas que aceitam os semelhantes sem questionar. Pessoas de garra que vivem num sonho, mas sabem que se pode tornar num pesadelo bem depressa. Realmente, não havia necessidade de trazer zombies para a história. As tentativas de comparação com Slay vão ser muitas, mas isto é um produto diferente. É um grito de independência da vice-presidente da Fundação George A. Romero que está a definir o seu próprio caminho na indústria. Filmes Filmes 2025 MOTELx 2025Nuno ReisQueerZombies