Rabbit Trap Nuno Reis, 12 de Fevereiro de 202613 de Fevereiro de 2026 Nos últimos meses quase todos os filmes são com cerca de duas horas. Alguns três. Por vezes é preciso descansar e foi esse o critério que fez a escolha recair neste título. Era, entre todas as opções para publicação em Fevereiro, a única abaixo de hora e meia. Mas não ia ser um visionamento leve. “Rabbit Trap” é mais uma proposta do folk horror. Tem lugar numa casa isolada no meio do nada onde um casal de músicos vive retirado porque procuravam o silêncio. Por entre as gravações de música que não correm bem e as recolhas de sons que parecem infinitas, os dias vão passando sem grande novidade além do ocasional corte de corrente. Até que um dia o excelente microfone apanha um som quase inperceptível. Som esse que reproduzem mais alto no equipamento. A única coisa fora do comum é que uma criança das redondezas ouviu o som e veio saber dos novos vizinhos. Isto é o convencionalmente chamado slow burn que tanto hostiliza os fãs do terror que procuram gore e violência. Estamos perante um filme muito pacato. Com alguns elementos sobrenaturais, mas que quase passam despercebidos. Enquanto o Cinema costuma ser sobre imagem e movimento, aqui temos muito momentos de inércia e o foco está no som. A primeira metade é um simples retrato da vida em casal e da relação com o som. Não fosse a modernidade dos equipamento e de alguns hábitos alimentares que revelam ser contemporâneo, e este recanto isolado do País de Gales retido no tempo podia ter vindo de um século antes como ““. Em vez de nos mostrarem o campo, apontam o microfone para cada animal, cada planta, cada riacho. Vamos escutar o que são quando isolados e a sinfonia da natureza como um todo. A segunda metade não é bem assim. Os sons que vamos ouvindo já são vindos do terror. A floresta deixa de ser um local lindo e maravilhoso, para começar a ser um labirinto onde a morte espreita. Um esconderijo de algo que nem eles nem nós vemos, mas que está lá. Algo ancestral e bastante poderoso. E o casal, já fatigado do isolamento e da devoção constante um ao outro, abraça essa novidade com menos receio do que seria recomendado. Já no final parece que está tudo contado e devia encerrar, mas o vazio continua. Não por o filme andar em círculos sem querer terminar, mas porque ainda era preciso rever uma cena. Aí sim, a imagem ganha ao som. Não é um filme recomendado para ver à noite e quem for ver ter de saber ao que vai. Mas certamente merece uma espreitadela. Em especial quem tem seguido a carreira de e sabe que frequentemente ele nos surge algo fora do comum. Filmes Filmes 2025 casa isoladacasamentoFlorestaMúsicaNuno Reis