Roadkill (2024) Nuno Reis, 13 de Abril de 202413 de Agosto de 2025 Uma rapariga que não gosta de dar o nome, está algo perdida na estrada. Ao cruzar-se com um vagabundo com o mesmo destino, oferece-lhe boleia, na esperança de ter uma viagem directa. Só que a polícia procura o responsável por alguns crimes recentes e serem estranhos na região coloca-os na mira do xerife. Há uma definição de mau filme. Dependerá muito do ponto de vista, mas, em termos gerais, costuma-se chamar de mau filme àquele que falha de forma significativa em vários dos seguintes aspectos: argumento, personagens, técnica, interpretações, estrutura/edição, ou falha na ligação com o espectador. Olhando para estes pontos, o filme falha quase completamente. Quanto ao ritmo, dizer que é uma seca não chega para descrever. Os road movies precisam de diálogos para se manterem interessantes. Aqui a forma como tentaram suavizar uma viagem tão animada que nem se aprresentam, é com mudança de cena para a investigação. Mesmo quando chega o primeiro twist (que já se adivinhava) e o filme podia começar a melhorar, é quando se começa a notar mais problemas na realização. Foi tão mau que nem a edição pode encontrar algo que se salvasse. As edições do filme e do som deixam muito a desejar. Podia simplesmente dizer que as interpretações foram exageradas, apáticas ou pouco convincentes, mas isso não descreve nem metade do problema. É mais correcto dizer que o casting foi feito ao contrário. Quanto mais incompetente fosse o actor, mais relevo tinha a sua personagem. Caitlin Carmichael que tem uma enorme carreira infantil (até em “Contraluz” entrou) aqui parece sem talento e ter sido uma escolha apenas com base no aspecto. A personagem tinha imenso potencial, e o que vemos é de fugir. Já Ryan Knudson não tem mesmo carreira e foi-lhe dado o papel mais complexo. Pelo menos safam-se os secundário. Danielle Harris foi o motivo porque vi o filme. Praticamente não a vemos. Trenton Hudson que não sabia ser actor e só tinha visto uma vez como figurante, tem a melhor personagem. O realizador tem um pequeno papel como xerife e sai-se bem. A única explicação é que não tenha existido direção de actores ou tenham feito tudo para sabotar o filme. Mas também há alguns pontos positivos. Depois de tanta desilusão, a fotografia cumpre os mínimos considerando que temos dia e noite, espaços fechados e exteriores. Para o orçamento que se imagina que isto tenah tido (nenhum) não é um ponto fraco. Primeiro ele e depois ela, os dois protagonistas tiveram direito a algum enquadramento e a sua motivação é explicada, mesmo que não faça muito sentido. Portanto Fast tinha boas intenções ao escrever este filme. Só que a versão que foi filmada e nos é apresentada, passa uma história incoerente, com maus diálogos e, excepto pelos últimos dez minutos, dá uma constante vontade de desligar. E ainda que o assassino da estrada tenha sido uma surpresa, não consegue gerar interesse ou empatia. Podiam ter morrido todos que não se perderia nada. Ainda é cedo, mas o título de pior do ano já não deve escapar. Filmes Filmes 2024 Nuno Reis