Samaritan Nuno Reis, 7 de Outubro de 202218 de Outubro de 2025 Numa era em que os filmes de super-heróis estão por todo o lado, tentar fazer um de menor orçamento é um risco. As comparações são inevitáveis e o cansaço é enorme. Mesmo o nome de Stallone sozinho não bastava para trazer gente às salas, por isso foi direto para Amazon Prime. Mas “Samaritan” é diferente do convencional. A única coisa recente comparável “Unbreakable”: um herói pouco diferente do comum mortal, que vai fazendo o bem como pode. Nesta história não vemos o herói em acção. Vemos a cidade 25 anos depois do seu desaparecimento. Como os feitos de um nome quase esquecido inspiram algumas pessoas a esperar tempos melhores. Em especial Sam. Demasiado jovem para ter visto o Samaritano em acção, cresceu a ouvir as lendas. Acredita que ele não morreu e tem o desejo sebastianico que ele regresse para repor a ordem. Aliás, o próprio Sam costuma partilhar regularmente o nome de quem suspeita que seja o Samaritano. Já não o levam a sério como no clássico “Pedro e o Lobo”. Quando o caos volta à cidade e precisam de um herói, será um morto inspiração suficiente para alguém mais se erguer e fazer frente ao mal? Julius Avery não me convenceu nas primeiras obras. “Son of a Gun” foi a mais vista, mas ainda faltava algo. Aqui nota-se uma grande evolução. A receita dada por Bragi F. Schut (que tem andado bastante ocupado ultimamente) era fácil de seguir, mas podia ter corrido mal. Por um lado cria uma cidade normal, mas com um pouco de caos. Algo familiar a que o espectador se possa apegar. Nesse ambiente cria um mito. A figura de alguém antigo o suficiente para ser esquecido, mas não o suficiente para estar morto ou incapacitado. Alguém que ainda pode ser o guardião da cidade em tempos de necessidade. E depois cria ao mesmo tempo algumas personagens chaves em quem desenvolver a narrativa (aqui cai em alguns conceitos já gastos) e uma onde de crime credível numa sociedade que estava no ponto de ruptura. O climax tem apenas o exagero de caminharem literalmente sobre chamas, mas funciona. E os poderes comedidos aqui usados não exageram como os outros filmes que saturaram o mercado. Tal filme podia ter sido lançado noutra época e teria falhado. Seria inverosímil. Mas estamos num tempo em que vemos países inteiros a tropeçarem nos conceitos mais básicos de decência e humanidade. A precisarem de uma luz que os tire da escuridão. A ideia de alguém melhor que o comum mortal, que possa enfrentar as coisas más como algo material, é uma ilusão, mas é algo. O filme segue muitas receitas comuns, mas segue-as de forma eficaz e não se perde em tramas secundárias. Cada cena e diálogo tem um propósito. É o perfeito filme para uma tarde de domingo molenga e poderá ser visto várias vezes. Hoje em dia, isso é um feito merecedor de aplausos. Filmes Filmes 2022 Amazon PrimeNuno Reis