Snow White (2025) Nuno Reis, 21 de Julho de 202511 de Janeiro de 2026 “Snow White and the Seven Dwarfs” no distante ano de 1937, foi uma tentativa louca de fazer uma longa metragem de animação. O que foi tomado como loucura certa pela indústria, acabou por se tornar uma prática corrente e elevar a animação a género sério. Só muitos anos depois teve direito a longa própria (também por causa dos Estúdios Disney) quando começou a rivalizar em qualidade com as produções em imagem real. Sendo o primeiro filme, é lógico que todas as gerações tenham passado por ele. Seja em tela, televisão, VHS, DVD ou streaming, todos conhecerão a história desta princesa. Se a isso juntarmos a máquina de propaganda Disney com as princesas, mesmo quem nunca viu o filme saberá o suficiente. Por isso tardaram tanto a arriscar fazer uma adaptação própria. Vimos sairem versões de qualidade variada de múltiplos estúdios – até demasiados – mas nunca com o selo Disney. Em 2025 lá aconteceu. Encontrar uma rainha não seria difícil, mas quem poderia dar corpo, e principalmente voz, à princesa? Honestamente, na época em que o filme foi esrito, a Branca não era uma princesa ingénua. Era mesmo sonsa. Com as modernizações que vimos de Alice (outra sonsa), Belle (menos sonsa) e Jasmine (que já no original era bastante aguerrida) esperava uma grande reinvenção da personagem para inspirar as raparigas do século XXI. A escolha de Rachel Zegler não surpreendeu pois o seu papel de Maria em “West Side Story” já tinha essa evolução de rapariga inocente para adulta num ápice. Ainda que em “Shazam 2” tenha estado algo mal, pelo menos sabia cantar (critério fundamental) e conseguiria fazer a evolução. A história não foge ao que se esperaria. Branca é uma princesa que vive num mundo idílico enquanto tem os seus pais. Quando fica sem eles, o reino acaba por se degradar em consequência dos caprichos da nova rainha. Quando o espelho deixa escapar que Branca começa a revelar a sua beleza interior, a rainha incumbe um caçador da tarefa de a matar. Ela foge e encontra uns anões mineiros que lhe dão abrigo. Ao perceber que há uma forma de salvar o reino, pede ajuda a um bando de ladrões que conheceu para cumprir o seu destino. O filme parece um pouco longo para o público infantil a que se destina. No entanto, não se esticou onde deveria. A introdução foi acelerada (assumindo que já todos saberiam). Os confrontos entre rainha e princesa são mínimos. Os anões recriam algumas das cenas mais icónicas da animação, mas são claramente personagens menores. O bando de ladrões que seria o novo elemento, revela-se bastante inútil. Então para onde fugiu o tempo? Na animação cada segundo conta e o planeamento é feito com tempo. O primeiro filme é chamado obra-prima porque tiveram extremo cuidado com tudo o que faziam. Em imagem real filma-se tudo e depois escolhe-se na sala de edição, mas aqui essa parte falhou. Os ladrões só vieram perturbar. As novas músicas eram desnecessárias. Os géneros misturam-se de uma forma desgovernada e o argumento não tem fio condutor que aguente tantos saltos. Algumas semanas passaram desde o visionamento e a única cena que recordo é dos anões a brincarem com diamantes. Tudo o resto ficou esquecido e foi varrido da memória como lágrimas num dia de chuva. Filmes Filmes 2025 Nuno Reis