Song Sung Blue Nuno Reis, 8 de Janeiro de 20269 de Janeiro de 2026 Craig Brewer construiu uma carreira cinematográfica em torno da música. Há vinte anos “Hustle & Flow” foi um relativo sucesso. Até fez um remake de “Footloose”. E fez contactos. Por ter trabalhado com Terence Howard em “Hustle & Flow” fez dez episódios de “Empire”. Fez “Dolemite is My Name” e seguiu Eddie Murphy para “Coming 2 America”. Sabia aproveitar (e criar) oportunidades. E quando viu o documentário “Song Sung Blue”, sobre uma banda tributo, soube logo que queria fazer algo com essa história. Pediu os direitos para fazer uma versão ficcionada e, dezassete anos depois, aqui estamos nós. A ver a biografia de uma pequena banda de Milwalkee que quase ninguém na Europa conheceria. A história começa como as biografias de vários outros artistas. Mike é um cantor que vive de biscates a fazer imitações de artistas famosos. Até que um dia se irrita por não querer substituir o imitador de Dan Ho, ele quer ser ele próprio, Lightning. Aí conhece e tem algum apoio de Claire, uma imitadora de Patsy Cline, e acabam a formar uma banda não apenas de imitação, mas de homenagem. Com o seu próprio estilo. No início do filme tudo é bom. Duas pessoas imperfeitas que se encontram por um acaso do destino, se inspiram, e ficam melhores por estarem juntas. A fazer lembrar o que vimos em “Walk the Line”. Mas não estrelas como vemos nos outros biopics. São pessoas trabalhadoras com empregos para pagar as contas e que cantam como escape e para se divertirem. À sua volta são todos iguais. Com uns momentos de sorte e outros de azar. “Commom People” como os Pulp disseram. Mike: I’m not a songwriter. I’m not a sex symbol but I just want to entertain people. And I want to make a living. Claire: I know. Me too. I don’t want to be a hairdresser. I want to sing, I want to dance, I want a house, I want a cat. Por as músicas serem de Neil Diamond não são daquelas que se saibam todas de cor, mas são das que se reconhecem de algum lado. Enquanto noutros filmes seria aconselhável recordar as músicas para cantar com eles – as salas de cinema andam vazias, podem fazer isso – aqui podemos ir mesmo sem as saber. E apenas disfrutar. É um filme mais do que agradável com dois actores que sabem cantar e entreter como poucos e um lote de secundários de luxo. Até que o relâmpago cai. Quando passamos da boa disposição para o lado mais negro da vida é que vemos como estes actores são talentosos. Fazem quase que um novo filme dentro do primeiro. Mostram a realidade e crueldade da vida. Mostram o que é dor e o que é amor. Passam de feel good movie para serem um dos filmes do ano. É um filme para pensar na vida. Para apreciar as coisas boas e as más e quem fica do nosso lado através de tudo isso. Acima de tudo, para nos lembrarmos que o nosso tempo neste mundo é limitado e temos de garantir que o deixamos melhor do que estava quando chegamos. Nem que seja por cantarmos uma canção de outra pessoa. Ou, como Mike diz: You know what? Before I sing, I just want to tell you something. We’re all here doing the best we can, right? Very, very best. And if we can just look out for each other, and be strong, and above all be grateful, maybe we can just… I don’t know. We can turn thing around, we can make the world a better place. What do you say? Lindo. Filmes Filmes 2025 História VerídicaMúsicaNuno ReisViagem