Stand By Me (1986) Nuno Reis, 29 de Agosto de 202525 de Outubro de 2025 Castle Rock tem o seu próprio lugar na história do cinema e da literatura. O que começou como um lugar fictício num conto de Stephen King, acabou por ser o lar de vários dos seus contos. E em cinema, que até há uma produtora com esse nome, tudo começou com um título que todos reconhecerão: “Stand By Me”. A história deste clássico é enganosamente simples. No verão de 1959, na pequena cidade de Castle Rock, Oregon, quatro amigos com cerca de 12 anos – Gordie Lachance, Chris Chambers, Teddy Duchamp e Vern Tessio – parrtem numa viagem à revelia dos seus pais para serem os primeiros a localizar o cadáver de um rapaz da sua idade que está desaparecido. Com o clássico pretexto de estarem em casa uns dos outros, vão fazer uma caminhada ao longo dos carris do comboio, o único caminho que sabem que chega ao local onde o corpo foi visto. Toda a trama é narrada por um enorme Richard Dreyfuss que nos avisa que o que estamos a ver é o momento que definiu a sua vida. Talvez por isso pensamos que o filme será mais do que é. Um ano antes Corey Feldman também entrou num filme sobre a aventura de um grupo de rapazes que lhes mudou a vida. Aqui, a odisseia é mais espiritual. São apenas miúdos fora de casa, mas esta oportunidade permite-lhes descobrirem-se e conhecerem-se uns aos outros como nunca antes. Enfrentam desafios de vários tipos onde apenas contam uns com os outros. Mesmo as constantes interações entre eles, sejam sobre o irmão falecido ou um super-herói, ainda que estejam datadas terão sido bem eficazes na sua altura. Isto é um tributo à amizade infantil. Pessoas que numa época crítica são tudo para nós, mesmo que não nos voltemos a ver. E isso retrata uma era que dificilmente votlaremos a ter. Com as crianças a brincar na rua e nos campos, a passar dias fora sem que alguém se preocupe. E por mais mágico que isso seja, é também o problema do filme. Nos nossos tempos isso não acontece e até se torna difícil de imaginar. Por muito que custe admitir, os anos 50 e 60 foram há duas gerações. O filme foi feito para os anos 80, quando ainda havia uma memória e nostalgia desse estilo de vida. Também isso passou. Todos os actores são claros ao dizer que o facto de Reiner ser um actor os ajudou imenso. Lhes deu mentoria que substituiu anos de experiência. E é incrível como olhando para este elenco, é tão formidável. Feldman já tinha uma vasta carreira, River Phoenix e Will Wheaton estavam a dar bons primeiros passos, mas Jerry O’Donnell estreou-se aqui. Qualquer um deles com a mesma experiência que os secundários vindos do nepotismo John Cusack e Kiefer Sutherland. Para quem nasceu nos anos 70 pode facilmente ser o filme de uma vida. Para os mais jovens, vai ser um título conhecido e pouco mais do que isso. Já a música… essa é para sempre. Filmes Filmes 1980's adolescentesNuno ReisStephen KingViagem