Stardust Memories (1980) Nuno Reis, 14 de Maio de 20112 de Dezembro de 2025 Se ignorarmos a adaptação de uma peça que mais tarde Allen irá filmar por sua conta, este seria o décimo quarto filme de Allen como actor ou argumentista. Como realizador e até este momento temporal fez apenas oito e meio, visto que em “What’s Up, Tiger Lily?” foi mais um cirurgião estético do que um pai para o filme. Em homenagem ao filme “8 ½” e depois de imitar Bergman, o estilo que vai seguir é o de Fellini. Quando falta inspiração só é preciso revisitar um clássico como já tinha sido feito para “Casablanca”, “Guerra e Paz”, “Cries and Whispers” e como ainda será para “A Midsummer Night’s Dream”. O problema com este filme é que veio no seguimento de uma reacção muito agressiva dos espectadores e críticos a ”Interiors” por se ter desviado da comédia. Ao demonstrar um leque mais amplo de criatividade e talento foi acusado de não fazer o que esperavam dele. O quase nono filme de Fellini para muitos é o melhor que fez, para Allen o oitavo iria ser o pior? Claro que a resposta teria de vir no formato que melhor domina, o cinematográfico. Primeiro faz o grande “Manhattan”, provando que ainda sabe fazer o que esperam dele, depois faz novo filme artístico. Apesar de o realizador sempre ter negado que fosse uma reacção às críticas, para efeitos históricos é a resposta que deu pois era o que lhe ia na cabeça nesse momento. Também dizia que não era um filme autobiográfico, mas todas as personagens que Allen interpreta têm muito dele, em especial os dilemas e as angústias. Um realizador a braços com uma fama inútil e com muitas mulheres problemáticas à sua volta vai partir para um fim-de-semana de cinema num festival. Estes mini-festivais eram frequentes na época e Sandy Bates como, cineasta homenageado, terá de suportar o isolamento e a bajulação. Claro que aproveita para flirtar com algumas das jovens locais, mas depois chegará o seu amor e a forma de estar vai-se alterar. “Stardust Memories” é um retrato fabuloso do que seria a tentativa de entrevistar Allen num dia mau. As respostas que dá, e a desatenção que dedica aos admiradores e aos interesseiros são mortíferas. Quanto aos que se limitam a estar com ele e a ter conversas interessantes terão a certeza de ter momentos inesquecíveis. Na conferência final Allen e o seu actor favorito, Tony Roberts, respondem a perguntas que se aplicam perfeitamente ao filme em questão. A ténue diferença entre plágio e homenagem, o que esperam do filme, porque o fizeram. Tudo o resto é “8 ½” à moda americana e com uma fabulosa Charlotte Rampling. Filmes Filmes 1980's Cinema Sobre CinemaFamaNuno Reis