Starman Nuno Reis, 5 de Fevereiro de 20263 de Fevereiro de 2026 Humanidade: a única espécie conhecida que regrediu Só podemos ser imbecis. Não nós, escritor e leitor(a). Mesmo todos nós, como espécie. Nos anos 60 e 70 tentámos chegar às estrelas. E o pior é que estivemos quase lá. Lançamos satélites para o espaço. Lançamos animais para o espaço (desculpem). Lançamos pessoas para o espaço e trouxemo-las de volta. Fomos à Lua, tanto no cinema como na realidade. Lançamos um cartão de visita para o Universo saber que existimos e onde estamos. Os dotes para a escrita e para a oratória de génios como Clarke e Sagan inspiraram crianças por todo o mundo e o sonho ganhou asas no mais poderoso discurso de Kennedy. A Guerra Fria estava em curso, mas a humanidade estava unida por uma causa: sair do terceiro calhar a contar do Sol. E subitamente, tudo acabou. Nâo foi porque estabelemos contacto de algum tipo. Não foi porque resolvemos todos os problemas que ameaçam a existência e a vida deste planeta. Foi porque deixou de haver rivalidade entre duas potênciaas e consequentemente deixou de haver motivação para os governos apoiarem os sonhadores. Nos anos 60 o céu deixou de ser o limite. No século XXI a grande mudança no espaço exterior é que conseguimos mandar turistas ao espaço e tirar fotografias melhores do nosso sistema solar. E ao mesmo tempo, com todo o progresso ímpar feito como sociedade, fizemos deste planeta ainda pior para viver. Deixamos de esburacar o ozono, e arruinamos quase tudo o resto. É isso que vamos aprender neste filme. O tema é o homem das estrelas Gentry Lee. Um miúdo que gostava de basebol, de números, acabou a gostar do espaço e se tornou parte da História. Lee é o homem com os pés na Terra e a cabeça na lua da NASA. Ele representa o melhor dessa era pois falou com Carl Sagan e não só foi guia de Arthur C. Clarke por umas horas, como acabou a escrever com ele. É um grande cientista, um grande orador, um motivador que todos deveriam ouvir. Até parece um grande pensador. Apenas porque ouviu dizer as grandes frases de grandes homens, as percebeu, e as repete hoje para que outras as recordem amanhã. Frases que não podiam ter sido esquecidas, de quando éramos uma espécie com futuro. É um filme que não vai demasiado além. Pega num tesouro que conta na primeira pessoa o que fizemos e o que estamos a fazer. Uma pesssoa apaixonada pelo planeta que temos e pela vida, com mais lucidez aos 82 que muitos de nós terão a vida toda. É um prazer nostálgico recordar aqueles anos dourados. Como bónus, sintetiza num par de frases o que é preciso para escrever ficção-científica. Que mais podíamos pedir? Filmes Filmes 2026 Biografiaexploração espacialInvestigação cientificaNuno Reis