Stay Forte Nuno Reis, 2 de Dezembro de 20253 de Dezembro de 2025 Nota: para quem não for israelita e estiver alheio aos detalhes, não procurem informação sobre estas pessoas antes de verem o filme. Tudo o que precisam de saber é contado no filme. Depois podem ir estudar mais. Estando o conflito ainda a decorrer, achei de mau tom que este filme tivesse sido feito. Teria todo o gosto em vê-lo depois de terminada a situação iniciada há pouco mais de dois anos. Neste momento ainda ocorrem mortes – principalmente em Gaza – mas oficialmente não há mais reféns daquele dia sobreviventes em cativeiro. Apenas cadáveres por identificar. “Stay Forte” conta a história de três dos mais de duzentos e cinquenta prisioneiros levados pelo Hamas a 7 de Outubro de 2023. Uma história verídica que chocou Israel e que serviu de amostra de como foram esses dias de sofrimento. Tudo começa com o dia em que vários civis e soldados, israelitas e estrangeiros, foram capturados num ataque surpresa inédito. O filme narra como esses três em particular lidaram com a prisão e a tortura, e como escaparam. No início são colocados numa cela com um tailandês. Tinha acabado de chegar a Israel e no primeiro dia de trabalho acontece-lhe o impensável. Apesar da barreira linguística, os quatro formam uma ligação. Para fugir – ou simplesmente sobreviver – vão precisar de todo o apoio. Filmado na Georgia para ter uma paisagem semelhante sem estar em zona de tensão, tem como cenário principal os subterrâneos. Durante mais de uma hora vemos o pânico espelhado nos rostos, vemos a esperança a desvanecer dos seus olhos. Como se não fosse suficiente, vamos passando por mais alguns dos prisioneiros com os seus diferentes traumas e histórias. O filme não tenta embelezar as coisas ou dividir em certo e errado. Não explica as motivações que são sobejamente conhecidas. Os sequestradores no geral são maus e cruéis e vão contra alguns pontos da Convenção de Genebra, mas permitem banhos e que escrevam para casa. Dizendo constantemente “a mim vocês não trataram assim”. E não é difícil acreditar nisso. Num conflito tão longo, ambos os lados erraram demasiadas vezes. Apesar do foco estar nestes três e no seu companheiro de cela, na rotatividade cruzam-se com outros reféns. É onde recebemos rumores da situação. Cada um ouviu umas frases soltas e viu umas coisas, combinando tudo tentam fazer planos. Nesse cruzamento com mais reféns temos duas boas surpresas. Uma é Selma Blair, que tinha pausado a carreira por motivos de saúde, mas aqui teve forças para um par de cenas. A outra é Judd Hirsch que no singelo minuto de ecrã nos presenteia com um monólogo que por si só merecia um filme. Mas o que importa é vê-los a sair. Após muitos dias marcados na pedra, também veremos o que aconteceu depois. Por muito empedernidos que se fique com toda a crueldade, ainda há mais umas cenas fortes. No geral é um filme poderoso que algum dia teria de ser feito. Como um conflito secular afectou centenas de pessoas inocentes. Claro que falta ainda ouvir a versão do outro lado e falar de como é ser bombardeado. Existem milhares de histórias a merecer ser contadas. Filmes Filmes 2025 GuerraHistória VerídicaNuno ReisRapto