Stolen (2023) Nuno Reis, 16 de Setembro de 202415 de Janeiro de 2026 A vida é o que acontece a quem tem outros planos. Esta é a história de dois irmãos completamente diferentes. Um é exemplar, o outro é mais imprevisível. Um evento faz com que se reúnam, mas quando o tresmalhado regressa de comboio, uma coincidência faz com que seja testemunha e suspeito do rapto de uma criança cuja mãe desespera por respostas. É dado seguimento lógico para as questões fundamentais. Devemos ajudar desconhecidos? Devemos continuar a ajudar mesmo quando somos acusados? Essa ajuda deve-se limitar a prestar declarações ou inclui seguir as pistas por horas, mesmo que a polícai nos persiga? É esse o dilema que o filme traz. Ambientado no Rajastão que é o maior estado indiano, mas bastante enraizado nas tradições, o sistema de castas está presente em tudo. A cor e a família de uma pessoa condiciona o que pensam dela. Mas esse velho problema é modernizado com um pequeno truque: a cobertura dos media que em vez de investigar e informar, apenas passam informação sem a validar, acabando por lançar falsas acusações e complicar a vida dos envolvidos. Sem falar da polícia que fica condicionada pelo preconceito, reforçado pela opinião pública. Torna-se um círculo vicioso que destroi vidas. O filme tem um bom começo. Os estrangeiros não terão dificuldade em perceber a envolvente da sociedade retratada (mais um vez, preconceito) e para os indianos poderá ser ainda mais fácil. Claro que sendo o objectivo criticar essas atitudes, é bastante vocal sobre os problemas. E se alguns estereótipos até ficam bem, por vezes perde demasiado tempo a repetir-se, quase educando sobre porque é errado. Esses momentos, poucos, quebram o ritmo da narrativa. São habilmente disfarçados como discussões morais entre os irmãos, mas ainda assim são cenas que parecem forçadas. Com o desenrolar da história o thriller ganha peso e prova que tecnicamente é bastante competente. Até a duração inferior ao que os indianos nos acostumaram é uma boa surpresa. Também os actores principais fazem um bom trabalho. Foi mesmo a atitude paternalista que estragou o que o filme podia ter sido. Mas tendo esta sido a primeira longa de Karan Tejpal, diria que com um argumento sólido, tem potencial para fazer vários bons filmes daqui para a frente. Quanto ao cinema indiano, continua a dar passos para funcionar com o nosso público. Já vamos com cerca de uma década de títulos variados em género, equipa e região, com muitas desilusões pelo meio e algumas secas, mas ainda assim a maioria do que nos chega mostra uma região com enorme potencial. Filmes Filmes 2023 Criança desaparecidaIrmãosMOTELx 2024Nuno ReisRapto