The Assessment Nuno Reis, 12 de Janeiro de 202614 de Janeiro de 2026 Todos nos lembramos de um filme sobre mundo pós-apocaliptico em que os sobreviventes tinha de obedecer a algumas regras para estarem lá. Em que todas as suas acções eram controladas e o contacto humano era proibido para evitar gravidezes e outras doenças. Passaram vinte anos desde , mas o tema ainda tem muito por onde ser explorado e é isso que nos é proposto por Fleur Fortuné no seu filme de estreia, “The Assessement”. Um derradeiro teste a quem tem jeito para educar uma criança e portanto merece ter esse privilégio. Num mundo devastado pelas alterações climáticas, a natureza desistiu dos humanos e os humanos estiveram perto disso. Alguns sobreviventes conseguiram criar uma sociedade do zero onde os maiores animais são as minhocas e as plantas são raras. Não vemos árvores. Pelo menos a longevidade faz parte do pacote. Mas isso ainda condiciona mais a população. Se não há renovação, os novos humanos devem ser limitados. E para isso há uma auditoria. Cada casal tem de passar uma bateria de testes – genéticos, antecedentes, entrevistas – antes da derradeira prova: um auditor que passará sete dias com eles para avaliar in loco como se saem com uma criança a cargo. Aaryan e Mia chegaram aí. Estão a um passo do sonho, mas para lá chegar terão de atravessar um inferno. A premissa do filme era deliciosa. Tanta gente a desabafar que ser pai é a maior responsabilidade do mundo e no entanto não há escola que ensine como o fazer. Outros exasperados que algumas pessoas não foram talhadas para ter filhos. Finalmente chega a resposta a todos eles. Uma divertida comédia sobre o teste para futuros papás e mamãs. Só que não é bem isso. Nos primeiros minutos vemos um casal funcional. São felizes e ficam bem juntos. Quando chega a auditora há algum desconforto, especialmente devido à pressão associada a essa semana de avaliação, mas a situação escala muito depressa. É como se lhes tivesse caído uma criança no colo sem manual de instruções. E vemos que não vai ser uma comédia. É um drama e poderoso. O filme fica-se em temas importante. Não é só a questão eugénica, mas todo o trauma passado que se passa aos filhos. Num mundo que aprendeu o preço dos erros e da sobrepopulação, cada pessoa tem de provar que é um membro contributivo da sociedade e que o casal trará boa genética e educação para o futuro. Pelo menos não condicionam os casamentos directamente, mas garantem que os bons candidaitos só terão hipóteses de se reproduzirem se se juntarem a outros bons candidatos. Enquanto vemos as várias situações que quem já tomou conta de crianças por mais de meia hora reconhecerá, vão discutindo alguns problemas ambientais e sociais. Todo o filme consegue ter a estética pós-apocalíptica que se pedia, mas ao mesmo tempo detalhes significativos, como a ausência de madeiras (elemento chave das decorações do presente) e os grandes espaços vazios. Simpbolizando a diminuta população e o meio estéril em que vivem. O emprego de Aaryan é na criação de animais de estimação virtuais, visto que os verdadeiros foram exterminados para limitar o consumo (quase ) e o de Mia é como botânica a ajustar as espécies para este novo mundo. Não seria impossíveis no presente, mas são vitais no futuro. Esse pequenos detalhes ajudam ao filme. O elenco foi incrivelmente escolhido. O papel masculino entregue a Himesh Patel foi aceitável (de notar que todos os casais são inter-raciais). O papel feminino com Elizabeth Olsen é quase a fazer pouco. Depois do que sofreu para ser mãe como Wanda Maximoff, passar por isso novamente logo a seguir é exagerado. Mas por outro lado, garantiam que estava em terreno conhecido. Sabia mostrar todas as emoções. E finalmente, como auditora, uma incrível Alicia Vikander. Por vezes uma figura de autoridade. Completamente séria e empedernida. Por outras uma criança frágil a precisar de um abraço. Longe de ser o seu melhor papel, mas foi o melhor em muito tempo. Nos secundários Minnie Driver tem um bom discurso para contexto, mas foi dos momentos mais fracos da narrativa. Estava feito para ser com apenas três pessoas, e a multidão era desnecessária, não contribuindo para a história além de alguma tensão. É um filme para ver antes de pensar em ter filhos. Para ver com a pessoa com quem se quer ter filhos. Para reflectir se estamos de facto a fazer o melhor como sociedade para as próximas gerações. Peca como entretenimento, mas funciona como alerta e teste à relação. Filmes Filmes 2025 DistopiafamíliaNuno Reis